Quando falamos de emoções intensas, reações rápidas e comportamentos que parecem “desproporcionais”, existe uma pequena estrutura no cérebro que merece atenção: a amígdala cerebral. Ela é pequena, do tamanho de um amendoim, mas tem um impacto enorme na forma como sentimos, reagimos e nos protegemos. A amígdala faz parte do sistema límbico, área responsável pelas emoções, pela memória e pelo comportamento. De forma
simples, ela funciona como um alarme emocional, sempre atento ao ambiente e pronto para agir diante de qualquer sinal de perigo.
A amígdala é uma das primeiras partes do cérebro a reagir quando algo parece ameaçador. Muitas vezes, ela entra em ação antes mesmo do pensamento consciente. É por isso que algumas reações acontecem no impulso: o corpo tenta se proteger antes que a razão consiga organizar a resposta. Esse mecanismo é essencial para a sobrevivência. O desafio surge quando esse alarme permanece ligado o tempo todo. Além do medo, a amígdala também participa das emoções positivas, da aprendizagem e da memória emocional. Algumas experiências ficam marcadas não apenas pelo que aconteceu, mas pelo sentimento que ficou.
Em pessoas neurodivergentes, como no autismo (TEA) e no TDAH, a amígdala faz parte de circuitos cerebrais que podem responder de forma mais sensível aos estímulos do ambiente. Isso não é defeito, falha ou falta de esforço. É um funcionamento diferente. No autismo, sons, cheiros, luzes, mudanças de rotina ou interações sociais podem ser percebidos como ameaçadores. O corpo reage tentando se proteger. Crises, isolamento ou rigidez não são escolhas conscientes, mas respostas de um sistema emocional sobrecarregado.
No TDAH, a dificuldade está muitas vezes na regulação emocional. A frustração chega rápido, a reação vem forte e o tempo para se reorganizar é maior. Emoções são vividas em intensidade máxima. Quando entendemos isso, deixamos de perguntar “por que ele reage assim?” e começamos a perguntar: “o que esse cérebro está tentando comunicar?
A amígdala também influencia a forma como interpretamos o outro: o tom de voz, o olhar, a intenção por trás das palavras. Quando essa leitura falha, aumentam os conflitos e os julgamentos injustos. A boa notícia é que a amígdala aprende. Ela responde ao ambiente. Quando crianças e adolescentes vivem em contextos de segurança emocional, previsibilidade, rotina possível e relações acolhedoras, esse alarme tende a se regular. O medo diminui, o corpo relaxa e o cérebro encontra espaço para aprender e se desenvolver.
Compreender a amígdala é mais do que falar de neurociência. É falar de empatia, cuidado e responsabilidade emocional. Muitos comportamentos difíceis são, na verdade, pedidos de proteção. Quando adultos entendem isso, mudam a forma de conduzir, acolher e educar.
E essa mudança silenciosa transforma.