20/06 | 2 anos de Coletivamente

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No imaginário comum, rotina ainda é confundida com rigidez, controle excessivo ou perda de espontaneidade. No entanto, quando falamos de desenvolvimento infantil, especialmente no contexto do autismo, ciência e prática clínica mostram o oposto. Em nossa família, a rotina é essencial!

A neurociência é clara: o cérebro infantil precisa de previsibilidade para se desenvolver com liberdade.

Sem rotina, o cérebro entra em modo de alerta.

Com rotina, o cérebro entra em modo de aprendizagem.

Quando o nosso filho Filipe não tem previsibilidade, o cérebro dele gasta energia excessiva tentando antecipar o próximo passo:

“O que vem agora?”

“O que esperam de mim?”

“Estou seguro?”

Esse estado ativa sistemas de estresse, desorganiza funções executivas e fragiliza o emocional. Não é birra. Não é falta de interesse. É sobrecarga neuroemocional, que é a interconexão entre o sistema nervoso e as emoções.

A ausência de rotina costuma gerar um esforço constante de adaptação. A criança precisa lidar, ao mesmo tempo, com estímulos sensoriais, demandas sociais e incertezas sobre o ambiente.

Nesse contexto, é comum observar:

1) aumento da ansiedade e da irritabilidade;

2) dificuldades de atenção e concentração;

3) maior cansaço emocional ao longo do dia;

4) respostas intensas a frustrações simples.

Essas manifestações não indicam falta de vontade ou comportamento opositor. Elas revelam um cérebro sobrecarregado, tentando se proteger.

Rotina como base para o desenvolvimento

Quando o dia a dia tem estrutura, o cérebro encontra referências estáveis. Horários, sequências e rituais ajudam a criança a compreender o tempo, antecipar acontecimentos e se sentir segura. É essa base que permite ao nosso filho Filipe criar e interagir com mais confiança.

Um olhar emocional: rotina como sustentação psíquica

Do ponto de vista emocional, a rotina representa algo essencial: o adulto assume a responsabilidade de organizar o ambiente. A criança, então, pode ocupar o lugar que lhe cabe: o de crescer, experimentar e aprender.

Quando essa organização não existe, muitas crianças tentam compensar a instabilidade ao redor, o que gera insegurança e desgaste emocional. A previsibilidade diária atua como um apoio invisível, mas constante, que fortalece o senso de pertencimento e confiança.

Vivemos em um cenário marcado por estímulos intensos, telas, velocidade e recompensas imediatas. Para crianças autistas, esse excesso pode ser especialmente desorganizador.

A rotina ajuda a:

1) estabelecer limites saudáveis para o uso de tecnologia;

2) equilibrar momentos de estímulo e descanso;

3) favorecer a regulação emocional;

4) desenvolver consciência sobre tempo e escolhas.

Mais do que controlar, a rotina ensina a usar recursos com equilíbrio.

Cuidar da rotina é, acima de tudo, um ato de responsabilidade emocional. É oferecer previsibilidade hoje para fortalecer o desenvolvimento de amanhã.

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Palavrinhas e siglas do autismo e seus significados na vida diárias. Compartilha aí pra ajudar na conscientização,

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