20/06 | 2 anos de Coletivamente

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Muitas vezes, o diagnóstico de autismo chega como a peça final de um quebra-cabeça que passamos décadas tentando montar no escuro. No meu novo livro, “Você sempre foi assim?”, eu convido o leitor a subir ao palco de O Prisma, onde, mediado pela IA Lúmen, revisito as trilhas de barro de Diadema e os palcos do Brasil.
Hoje, respondo cinco perguntas essenciais sobre essa obra e sobre o que significa ser uma voz autista na atualidade.

Por que o título “Você sempre foi assim?”
Essa é a pergunta que ecoa quando o diagnóstico tardio chega. É o que ouvimos de amigos, familiares e de nós mesmos diante do espelho. O livro explora essa dualidade: eu sempre fui autista, mas o mundo só me viu quando eu aprendi a nomear minha existência. É um questionamento sobre a essência versus a máscara social (o masking) que muitos de nós sustentamos até o limite da exaustão.

O livro é estruturado como um talk show futurista. Por que usar o palco “O Prisma” como cenário?
O autismo não é uma linha reta; é um espectro. Um prisma pega a luz branca e a divide em todas as suas cores constituintes. O palco representa a minha vida pública como palestrante, enquanto o cenário futurista permite que eu converse com o meu passado de forma objetiva. O Prisma é o lugar onde a dor se transforma em narrativa e o silêncio finalmente vira voz.

Qual o papel do Lúmen, a Inteligência Artificial, nessa conversa?
O Lúmen é o interlocutor ideal porque ele não carrega os preconceitos humanos. Ele faz as perguntas que eu precisei me fazer para sobreviver. Ele representa a lógica e a clareza que muitas vezes buscamos na psicologia para entender nossos próprios processos neurobiológicos. No livro, ele é o guia que me ajuda a traduzir o “caos” interno para o mundo externo.

Como sua trajetória em Diadema influencia a sua escrita e seu ativismo?
Eu não sou um ativista de gabinete. Minha base é a periferia, onde o acesso ao diagnóstico é um privilégio raro e a luta é diária. Falar sobre autismo a partir da realidade de Diadema é dar direção para famílias que muitas vezes são invisibilizadas. No livro, faço questão de mostrar que o autismo no mundo real não é romântico; é resistência.

O que você diria para quem acha que o autismo é apenas uma “moda” atual?
Diria que “moda” é um termo usado por quem nunca teve que chorar escondido no banheiro por não suportar o barulho do mundo. O que existe hoje não é um aumento de autistas, mas um aumento de consciência. Enquanto alguns brincam com o termo, nós estamos ocupando palcos, escrevendo livros e exigindo responsabilidade. Isso não é moda, é posicionamento.

“Eu não transformei minha história para ser aceito. Eu a transformei para ser ouvido.”

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