Eu sei o que é sentir que o mundo é um lugar hostil demais para quem você é. Eu já fui aquele garoto encolhido no canto da sala, tentando desaparecer enquanto o “ruído” social e o bullying tentavam me esmagar.
Por muito tempo, o meu refúgio foi o silêncio de um quarto escuro e os acordes do heavy metal. Eu achava que o meu destino era ser invisível, mas a vida me mostrou que a minha dor tinha um propósito maior.
Transformei as ofensas que ouvi em voz. Saí do isolamento para o palco, do anonimato para a Wikipedia e das sombras para o Senado Federal. Quando o Marcos Mion destacou minha clareza ao falar sobre o autismo, ele não estava apenas elogiando um homem; ele estava validando uma causa que muitos insistem em ignorar.
Mas entenda: nenhuma dessas conquistas é só minha. Cada seguidor, cada palestra e cada vitória no Legislativo pertence a você, autista, e a você, mãe atípica. Eu luto para que o caminho de quem vem depois de mim não seja tão doloroso quanto o meu foi. Eu luto para que o “nível 1” deixe de ser confundido com “autismo leve” — porque de leve, a nossa luta não tem nada.
A realidade é dura e precisamos falar sobre ela:
• Autistas nível 1 têm um risco de ideação suicida de 3 a 9 vezes maior que a população geral.
• A exaustão de tentar “parecer normal” (masking) e o isolamento social cobram um preço altíssimo da nossa saúde mental.
Se o fardo hoje está pesado demais e a depressão está sussurrando que não há saída, por favor, ouça quem já esteve aí: há esperança. Você não precisa carregar o mundo nas costas sozinho.
Busque ajuda. Busque acolhimento. O CVV atende gratuitamente pelo número 188 em todo o Brasil.
Minha história não terminou no fundo do poço, e a sua também não precisa terminar assim. Vamos transformar essa dor em movimento. Juntos.