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A hora do diagnóstico

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Hoje, não vou falar do Bento, quero falar do João Divino, meu outro filho que não “parecia” autista. A história dele começou em 2013 quando, um ano antes de engravidar, comecei a preparar tudo para a chegada dele. Entrei em forma, vacinas em dia, leitura de muitos manuais sobre maternidade…. E, no final de 2014, chegou o positivo tão sonhado.

João nasceu em 2015, tudo perfeito, como eu havia planejado desde o parto normal até nossa vida diária! Um amor de bebê, muito risonho, esperto, a única preocupação era que ficava com a língua para fora da boca e precisou fazer sessões de fonoaudiologia de 6 meses a 1 aninho de idade para melhorar isso. Também muito ansioso desde pequeno, não conseguia ficar quietinho quando brincávamos de esconde-esconde pela casa. A introdução alimentar foi bem difícil também, se afogava muito e tinha muitos episódios de vômitos.
Mas, enfim, mãe de primeira viagem, pensava: não há de ser nada!

Com 1 aninho, começou a caminhar na ponta dos pés e lá vamos nós investigar, tendões normais, tudo certo…Bora fazer fisioterapia, lembro que estava grávida do Bento já e o levava para as sessões e era só choro pois colocavam pesinhos nas perninhas dele para que caminhasse normalmente.

Com 2 aninhos chegou o irmão Bento e os vômitos continuavam mais frequentes ainda, dessa vez, não só quando se alimentava e se se afogava, mas quando chorava por algum motivo, logo, já vomitava também! E vamos nós, fazer cirurgia para retirar as amígdalas, pois além de infecções de garganta super recorrentes, era uma hipótese para explicar a frequência dos vômitos.

Confesso que nessa fase dos 3 anos de idade, estava muito preocupada com a suspeita de autismo do Bento que acabei não dando a devida atenção ao desenvolvimento dele. No ano seguinte, o diagnóstico do Bento chegou e com ele me afundei numa depressão, passei por meu período de luto, mas me reergui, comecei a correr atrás, estudar sobre o autismo….

Foi aí que comecei a perceber traços no mais velho também: seletividade alimentar, hipersensibilidade, ansiedade, continuava andando na ponta dos pés, esteriotipias motoras, começou a roer as unhas, ecolalias, dificuldade em compreender piadas ou expressões, desatenção, impulsividade, hiperfocos, conversas apenas sobre os interesses restritos dele, agitação constante…

Pulga atrás da orelha

E a fala? Estava lá, linda e maravilhosa. Nunca teve atrasos, inclusive, sempre falou até demais! E aquela pulga ficava atrás da minha orelha, me perturbando dia e noite. Começou a fazer psicoterapia e minhas suspeitas só foram se confirmando. Também, viramos o menino “de ponta cabeça” com exames gastrointestinais para descartar algum distúrbio de ordem fisiológica. Porém, descobrimos que ele tem realmente uma sensibilidade alimentar e alguns distúrbios funcionais chamados de FGIDs, mas que o tratamento seria além de evitar algumas substâncias, principalmente, terapia psicológica.

Enfim, para alguns desinformados eu, Ariane, estava chegando ao ápice da loucura ao suspeitar que o João Divino estivesse no espectro e ainda tivesse TDAH!
Pois bem, após praticamente um ano de acompanhamento psicológico e gastropediátrico, encaramos o neuro e tivemos a certeza, enfim! Certeza essa que se confirmou mais uma vez, João se enquadra em autismo atípico, uma nomenclatura que está entrando em desuso, mas é uma variante do autismo que pode ter início mais tardio, dos 3 até os 12 anos de idade.

Assim como a criança com autismo de início precoce, a criança com autismo atípico não desenvolve relacionamentos sociais normais e frequentemente apresenta maneirismos bizarros e padrões anormais de fala. Essas crianças também podem apresentar transtorno obsessivo-compulsivo ou hiperatividade. E, no caso dele, mais o TDAH (Transtorno de Deficit de atenção e hiperatividade).

Enfim, meu outro filho que não parecia autista também é. Só que o sentimento é diferente, não é de dor como no primeiro diagnóstico do Bento, é de alívio e, por mais estranho que pareça, de felicidade por saber que já estamos no caminho certo, que não será fácil. Mas meus filhos vão chegar lá, isso eu tenho certeza!

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