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Apple faz 1ª sessão para autistas

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A Apple fez sua primeira sessão exclusiva para autistas nos Estados Unidos, nesta sexta-feira, dia 23 de setembro, a chamada “Today at Apple”, uma espécia de aula rápida sobre diversos assuntos envolvendo o uso de tecnologia e (claro) seus produtos. O evento foi feito em conjunto com a fundação Autism Tree, que atende autistas e suas famílias na região de San Diego, na Califórnia (EUA).

A sessão aconteceu depois de uma sugestão brasileira para a maior loja da Apple em San Diego, a do shopping Fashion Valley. Após sessões para autistas feitas no Brasil (a última aconteceu no fim de agosto), a ideia chegou na Califórnia e autistas atendidos pela Autism Tree puderam participar do evento, cuidadosamente preparado pelos funcionários da loja, liderados pela criativa Tracy Cornish.

A história por trás da conquista
Raramente escrevo reportagens em primeira pessoa. Neste caso, creio que seja necessário. Há apenas duas lojas da Apple no Brasil (no Rio e em São Paulo). No fim de 2017, a loja paulista encontrou de alguma forma o grupo “aMAis”, de apoio a famílias de autistas, liderado pela incansável mãe Tatiana Ksenhuk. Ela me indicou para ajudar a Apple a organizar a primeira sessão para autistas no Brasil, que aconteceu em 12 de novembro de 2017, liderada pelo criativo Gabriel Basilio, que foi impecável com todos. A inspiração veio do Reino Unido, de uma loja da Apple no Oeste de Londres que, alguns meses atrás, atendeu o pedido de uma mãe e fez uma sessão exclusiva para autistas. Os voluntários da Apple Brasil souberam de tal iniciativa e resolveram fazer a mesma ação inclusiva por aqui.

Diversas sessões foram feitas entre 2017 e 2019, algumas com a loja fechada, para ter menos estímulos visuais e sonoros por conta de hipersensibilidade de muitos autistas e todas as vantagem de uma loja vazia, o que se tratando de Apple não é nada comum, no mundo todo. Veio a pandemia, parou tudo. Retomamos agora, no fim do mês passado com mais uma sessão de portas fechadas.

Eu estava me preparando para ir a San Diego, nos EUA, para um curso de um mês por lá. Então sugeri ao Gabriel Basílio e sua equipe da Apple Brasil: “Por que não fazer o mesmo na Califórnia, na ‘casa’ da Apple? Ousadia demais?”. E a resposta foi imediata: “Vamos tentar!”. Não havia muito tempo para planejamento e contatos “diplomáticos”. Então, pensei em ir à loja e tentar convencê-los pessoalmente. Foi o que fiz, nos primeiros dias ao chegar em San Diego. Conversei com Louie na Apple Store do maior shopping da cidade, o Fashion Valley, um dos responsáveis pelas sessões na loja, mostrei a ele o trabalho que temos feito no Brasil, as fotos da última sessão com autistas e recebi um “Sim!” dele. Uhuuuu! Imediatamente contei sobre a confirmação do evento para Dayna Kay Hoff, diretora-executiva da fundação, e ela ficou extremamente empolgada e surpresa com a conquista. “Vamos fazer isso logo!”, disse ela.

A sessão foi um sucesso, organizada pela Rebecca Barron, da Autism Tree. Teve fila de espera para um próximo evento, de tantas famílias que se inscreveram. Todos ficaram muito engajados nas atividades e gostaram do resultado da sessão. Uma área da loja foi isolada com fitas para os participantes ficarem mais confortáveis e todos saíram muito felizes do evento. Consegui fazer a ponte entre a Apple de San Diego e a Autism Tree, a semente foi lançada ao solo para que haja mais e já começaram a planejar mais uma próxima sessão exclusiva para autistas — quem sabe isso se alastre para outros locais dos EUA e do mundo!? Quem sabe?

Apple + autismo
A Apple foi sempre uma empresa à frente do seu tempo quando se fala em acessibilidade para pessoas com deficiência. Tem um dos melhores leitores de tela (“voice over”) para cegos, diversas funcionalidades para quem tem pouca mobilidade ou restrição de movimentos, entre outras tecnologias. Para o autismo, a empresa da maçã já fez diversas iniciativas como a funcionalidade “Acesso Guiado” (explicitamente feita para autistas, lançada em 2016, no maior evento anual da empresa, a WWDC), fez em 2017 excursões escolares para crianças de 12 anos às suas lojas, fez no mesmo ano uma página com aplicativos direcionados ao autismo no mês de aceitação do TEA e já incluiu vídeos mostrando a acessibilidade de seus produtos em grandes eventos, como a história de Dylan usando iPad para se comunicar, em 2016. Mas uma sessão “Today at Apple” exclusiva para autistas ainda não encontrei registros de ter acontecido nos Estados Unidos. Essa foi a primeira. Primeira de muitas, pois a Autism Tree agora está conectada à Apple Store de San Diego com a promessa de fazerem mais sessões, cada vez mais inclusivas.

Em resumo, uma mãe de Londres viu a necessidade. Um grupo do Brasil quis repetir a iniciativa. E agora a ideia veio de fora para a casa da Apple. Para mim, foi mais uma experiência incrível que presenciei no mundo do autismo. Claro que temos muito ainda a caminhar nessa área, mas é realmente gratificante testemunhar o mundo se tornar cada vez mais inclusivo. E a sociedade e as empresas cada vez mais conscientes e responsáveis. Passo por passo.

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