18 de junho | Dia Mundial do Orgulho Autista

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Há um apelo afetivo muito forte sobre maternidade no mês de maio, isso ocorre no Brasil pois no segundo domingo deste mês, é comemorado aqui o Dia das Mães. 

Mas, e posterior a essa data? 

O que fica? Melhor ainda, como ficam as mães neurodivergentes?

A maternidade é um momento de transformação, sua aparência muda, seus hormônios “gritam”, seus gostos e desgostos se exacerbam. Se é um momento ultra sensível para as mulheres típicas, então o que dizer para as neurodivergentes?

“A gravidez em si já é uma fase muito difícil para a mulher, as mudanças no corpo e na mente são inevitáveis. 

As emoções potencializam-se na mesma proporção dos hormônios.

A hipersensibilidade as deixa em posição fragilizada, pois os companheiros e familiares nem sempre entendem o quanto as emoções podem se potencializar. As questões sensoriais também podem se agravar nesse período, como a dificuldade de se expor ao externo e aos estímulos de sons, luzes e cheiros que são as principais causas de mal estar gestacional, provocando enjoos indescritíveis.”¹

Ginecologistas, obstetras, anestesistas…Estão preparados para lidar com as gestantes neurodivergentes?

A resposta é simples: NÃO!!

O medo que envolve a gestação se perpetua ao longo de todo processo de pré-natal, e é fortemente evidenciado na hora do parto. Onde as dores são minimizadas, as queixas invalidadas e o momento tão aguardado foge da previsibilidade que tanto a pessoa neurodivergente necessita.

Depois do parto, as mães continuam sendo acompanhadas, ou apenas o bebê? 

Algumas mães neurodivergentes passam pela depressão pós-parto sem que as pessoas próximas nem se deem conta.

Culpa adicionada

Podem lhes ser adicionada muita culpa, por não saberem lidar ao certo com os cuidados que precisam ter com o bebê; as questões sensoriais que alteram o seu próprio funcionamento, e também outras questões cruciais da fase do puerpério, como queda do umbigo, amamentação, estresse, interações sociais, tal como as visitas, por exemplo.

Do mesmo modo que as mães típicas, as mães neurodivergentes sonham com parto humanizado. Mas o “circo de horrores” pelo qual um bom número delas passa é vexatório demais. Um espetáculo de infortúnios que só diverte a quem é insensível em suas práticas e profissão. 

Questionam suas dores, e nas suas vulnerabilidades tem de escutar frases do tipo: “para de frescura” “tem que aguentar, não é mulher não?” 

São tantas citações e violência verbal, num momento que deveria ser abordado com calma, paciência e tranquilidade, mas que torna-se avesso às suas expectativas, desse modo sofrem ainda mais… Além das dores físicas se somam as emocionais e as frustrações. E o que deveria ser humanizado passa a ser marcado por tortura, por traumas que anulam a tão sonhada missão de ser mãe.

O que fazer para evitar a violência obstétrica por vezes tão grave e tão recorrente, principalmente às mães neurodivergentes?

Autismo ensinado nas escolas

É sabido que o ser humano só muda realmente através da educação, portanto já passou da hora de autismo ser ensinado nas escolas de medicina. E, como lidar com mulheres autistas na grade de  ginecologia/obstetrícia, é urgente!

Não dá para negar o índice de crescimento no diagnóstico tardio de mulheres neurodivergentes. Aqui não nos referimos apenas às mulheres autistas, mas também às superdotadas, disléxicas e com outros transtornos e síndromes associadas

O modo de sentir é potencialmente exacerbado na fase em que os hormônios estão latentes como na gravidez. Negar ou simplesmente sequer conjecturar que você pode estar diante de uma paciente assim é limitante, e as priva de atenção primária de saúde.

Criar protocolos de investigação/anamnese no atendimento à uma mulher neurodivergente é imprescindível, evita traumas e complicações pós-parto.

A gentileza no trato com as pacientes é indiscutível, mas com as neurodivergentes a gentileza deve vir acompanhada de conhecimento e técnicas corretas de intervenção, de acordo com seus diagnósticos.

A maternidade é um dos momentos mais importantes na vida das mulheres típicas ou atípicas, dessa forma, este texto pretende ser mais um alerta e/ou despertar de consciência para que todas recebam o tratamento humanizado que merecem.

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