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As inteligências artificiais que estão disponíveis nos últimos meses para nós, meros usuários mortais, têm dado o que falar na imprensa e nas redes sociais — ainda que estejam em versão beta (de testes). E o autismo não fica fora dessa tendência. 

Eu mesmo pedi para os (já) famosos ChatGPT e DALL-E — os robôs de IA da OpenAI, de conversa/texto e gerador de imagens, respectivamente — fazerem um texto jornalístico explicando o que é autismo e criarem imagens e fotos relacionadas ao contexto do autismo. Essas duas experiências mostraram o que essas IAs “pensam” a respeito do transtorno do espectro do autismo (TEA) e os estereótipos que estão “embutidos” nesses sistemas.

Os resultados dessas experiências (que podem ser vistos em vídeo, no canal da Revista Autismo no Youtube) são o reflexo dos petabytes de informação (desde conteúdos de artigos científicos, livros, blogs, mídias de massa e diversos tipos de websites) com os quais esses robôs foram “abastecidos” e treinados, somados ao que eles têm aprendido com o tal “aprendizado de máquina”. É importante grifar: no caso do ChatGPT esse conteúdo foi coletado até 2021, ou seja, ele não sabe quem é o presidente atual do Brasil, ou quem ganhou qualquer campeonato em 2022, por exemplo. 

Somado a isso, o jornal Estadão noticiou que o juiz Juan Manuel Padilla, na Colômbia, redigiu uma sentença para um caso de direito à saúde de uma criança autista usando o ChatGPT (pela primeira vez naquele país), em 30.jan.2023, pois essa IA consegue escrever como se fosse um “humano”, como se fosse um juiz e “fez o trabalho” para ele, ao menos em parte. Padilla decidiu a favor da criança e, em sua sentença, revelou ter interrogado o robô para sustentar sua deliberação. 

Isso é muito diferente dos resultados que conseguimos com buscadores, como o Google, que tenta encontrar a resposta mais precisa a respeito de qualquer assunto, pesquisando dentro do gigantesco banco de dados que é a internet (em sua maior parte, indexada por esse gigante das buscas). 

Adivinhação

Se eu pergunto ao ChatGPT quantos autistas há no Chile, ou qual o percentual de autistas adultos que estão empregados atualmente no Brasil, ou ainda, com quantos anos, em média, é feito o diagnóstico de autismo no continente africano, a IA não sabe as respostas e vai tentar inventar algo (exatamente: inventar!), fazendo uma espécie de “adivinhação”. Entre aspas, pois, na verdade, é matemática pura, já que ele é um modelo probabilístico. 

Usando o exemplo de quantos autistas há no Chile, ao fazer tal pergunta, a IA me responde algo praticamente de uma vez, mas lá, internamente, nos seus bits e bytes, ela vai fazendo contas e pesquisas e “montando” a resposta. Algo como: “A quantidade de autistas… no Chile… atualmente é…” e assim por diante. Atualmente, na maioria das tentativas, o ChatGPT tem avisado que só tem dados até 2021 e gerado uma resposta, muitas vezes, convincente, mas precisão não é seu forte — e não foi feito para isso (ainda)! 

Veja o resultado dessa pergunta que fiz para o ChatGPT: 

“Não tenho acesso a informações atualizadas sobre o número de pessoas com autismo no Chile, pois meu conhecimento se limita até setembro de 2021 e não possuo acesso a dados em tempo real. No entanto, posso afirmar que de acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 em cada 160 crianças em todo o mundo tem transtorno do espectro autista (TEA). O TEA é um distúrbio neurocomportamental que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento da pessoa, e pode ter diferentes níveis de gravidade…” 

Portanto, é essencial não tratar suas respostas como uma verdade (ou mentira) absoluta, apenas como uma probabilidade — algo que um humano poderia ter redigido numa prova, por exemplo, ainda que não estivesse 100% seguro das informações utilizadas. 

A eficácia do ChatGPT está muito mais em produzir conteúdo plausível e verossímil (que aparenta estar correto) do que realmente verdadeiro. Pode-se afirmar que o compromisso maior dele é com a plausibilidade; não com a veracidade ou precisão.

A lógica da IA

O professor Edney Souza, o “InterNey”, especialista em tecnologia, tem um texto muito interessante no site dele e outro no LinkedIn (acesse os links na versão online desta reportagem) que explica bem com utilizar o ChatGPT de forma bem objetiva e assertiva, com suas diversas particularidades.

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