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Neurociência e arquitetura

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Matéria fresquinha a respeito da neurociência aplicada à arquitetura, com foco na promoção de projetos mais inclusivos, a partir da compreensão de cérebros atípicos. Li a reportagem toda (https://www.archdaily.com.br/br/1003016/neuroarquitetura-e-wayfinding-inclusivo-novos-caminhos-para-mentes-diversas) e me veio a reflexão abaixo.

Não vou postar trechos da matéria, pois quero comentar essas três imagens que ilustram parte dela. Mas antes, o conceito do que é wayfinding:  é o processo de orientação e navegação em ambientes construídos, como shoppings, aeroportos, estações de trem, hospitais, etc. Guiando o usuário de forma clara e eficiente até o seu destino, além de ajudar a melhorar a sua experiência e a impressão que ele tem do ambiente.

Bem, para isso, sabemos que pistas visuais são indispensáveis e eficientes se partimos do princípio do Design Universal, considerando atender o maior número de pessoas dentro das suas especificidades.

Porém, vale ressaltar que: quando estamos projetando para usuários autistas, precisamos ter um vasto conhecimento sobre o espectro e a função do espaço. TEA é um transtorno complexo para resumirmos as necessidades projetuais de iluminação, acústica e pistas visuais, a fim de melhorarmos a experiência do usuário. Para isso, adotamos as diretrizes projetuais elencadas por Mostafá, adequando aos contextos culturais, sociais e econômicos de cada localidade.

No TEA, temos que ir além, e projetar de forma que possamos potencializar o seu desenvolvimento, a sua autonomia, o aprendizado, o engajamento, o prazer e etc. Por isso, é tão importante sermos mais específicos e menos generalistas nessa temática.

Escolhi essas imagens (1 e 2) para trazer alguns pontos relevantes ao projeto, partindo do princípio que trata-se de um ambiente terapêutico ou escolar; Ilustrando o universo infantil TEA, um dos maiores desafios iniciais é despertar o interesse do sujeito em estar e permanecer em uma sala de aula ou terapêutica. Promover o vínculo e engajamento em uma determinada atividade exige nesse início ambientes mais controlados, e essa diretriz pode estar apoiada na setorização por áreas de estímulos ou zoneamento sensorial como chamou a arquiteta Magda Mostafá durante a sua pesquisa baseada em evidências para o projeto arquitetônico.

Todo detalhe conta

Se o espaço de transição oferecer maiores estímulos e padrões de repetições ainda que desordenados, mas que despertam o interesse da criança TEA (como demonstra essa imagem), podemos estar criando uma barreira enorme para o professor ou terapeuta. E ainda reforçando o comportamento da criança em permanecer nesse ambiente sem adentrar ou permanecer na sala onde serão realizadas as atividades que visam ao seu aprendizado e desenvolvimento. Nesse sentido todo detalhe em design é relevante.

Já a imagem 3 reforça a premissa da pista visual objetiva, de linhas simples e claras, comunicam sem criar distrações ao entorno. Lembra da famosa frase de Mies van der Rohe? Menos é mais! Então: partir desse princípio, unindo arquitetura sensorial, neurociência, diretrizes técnicas, experiência, vivência, boas práticas inclusivas, certamente fortalecerá nossas chances de atingir o objetivo final, na execução do projeto fora do papel.

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