Aproveitando a proximidade do Dia do Autismo de 2026, uma singela reflexão sobre o estereótipo midiático do autista “gênio” tão amplamente divulgado hoje em dia.
Por trás de um talento extraordinário e de uma mentalidade impressionante, há mais obstáculos e empecilhos do que pode imaginar nossa vã filosofia. A habilidade prática e o conhecimento empírico e científico elevado, apesar de impressionantes e admiráveis, nem sempre são suficientes para compensar os prejuízos nas habilidades sociais e nas relações interpessoais, e muitas vezes até às pioram.
Por exemplo:
Ser fluente em de idiomas não te impede de ser o colega que nunca é escalado para o time de futebol no recreio da escola;
Ser um autor com dez livros publicados em vários idiomas não te impede de ser um homem que as mulheres solteiras do seu convívio só chamam de “amigo”;
Ser uma programadora excelente, que conhece todas as linguagens de programação que existem, não te impede de ser a colega de trabalho ingênua que sempre cai nos trotes que a sua equipe prega em você;
Ser uma palestrante internacional com pós-graduação em neurociências e mãe atípica de um filho autista igualmente genial na sua área de interesse não te impede de sofrer com a baixa autoestima e a síndrome do impostor, e de ter crises que te impedem até de levantar da cama até o banheiro.
Parafraseando o grande sábio Tio Ben Parker (também conhecido como tio do Homem Aranha), “por trás de grandes habilidades existem grandes dificuldades!”