Eu não quero empilhar professores de apoio dentro de uma sala. Quero mudar a lógica da sala de aula.
Em uma turma com 30 alunos, pode haver um estudante autista, outro com TDAH, outro com deficiência intelectual, outro com dificuldades de aprendizagem, outro com altas habilidades e tantos outros perfis diferentes.
Não é razoável imaginar que a solução seja colocar um professor de apoio para cada aluno que precise de suporte, transformando a sala em um amontoado de adultos e, muitas vezes, isolando os próprios estudantes.
A corregência propõe dois profissionais trabalhando pedagogicamente juntos: planejamento, execução das atividades, adaptação de estratégias, avaliação e acompanhamento da aprendizagem.
Isso permite que o segundo professor não seja “o professor do autista”, mas professor da turma.
E isso é importante porque inclusão não deveria significar separar mentalmente os alunos entre “os meus” e “os alunos da inclusão”.
E a inclusão também precisa chegar às famílias.
Quantas mães recebem um diagnóstico e, depois disso, precisam descobrir sozinhas onde conseguir terapia, como buscar atendimento pelo SUS, quais documentos precisam, a quem recorrer quando um direito não é respeitado e como conversar com a escola.
Por isso, outra proposta é ensinar o “caminho das pedras” para as famílias atípicas: orientar as famílias a encontrarem o caminho para diagnóstico, terapias, reabilitação, atendimento educacional e acesso aos seus direitos.
Porque uma família não deveria precisar conhecer advogado, médico, político ou especialista para descobrir aquilo que a lei já garante.
Menos burocracia. Mais orientação. Mais profissionais. Mais inclusão.