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Uma mãe nasce com o nascimento do filho. Ela cresce junto com ele, e com todas as agruras que a maternidade oferece. Não há tanto romance como o cinema mostra, porém é muito apaixonante. Erramos buscando acertar.

No esporte não é diferente. É um processo constante de força, renúncia, persistência e resignação. Como essas duas esferas da minha vida me fazem crescer enquanto pessoa!

Desde a conquista das Paralimpíadas de Tóquio em 2021, voltei ao Brasil com a responsabilidade pessoal de todas as falhas, e em que precisava melhorar para conquistar a evolução e estar cada vez mais perto da conquista da vaga para os Jogos Paralímpicos de Paris em 2024.

Esse ano de 2022 comecei muito bem! Atingi o índice proposto já na seletiva que aconteceu em março, e, com isso, a convocação oficial para representar o Brasil no Mundial e Pan-americano em Halifax, no Canadá.

No Mundial fiz o melhor tempo da minha vida (até agora) e trouxe uma Medalha de Bronze do Pan-americano. Estar entre as 7 melhores do Mundo e a Terceira melhor das Américas é simplesmente muito bom!

Falta só voltar ao Brasil e manter o título de Campeã Brasileira, o qual já mantinha há três anos. Simples!!! Nem tanto…

Jamais subestimei qualquer prova, ou adversária. Sempre me preparo com total entusiasmo, seja numa competição internacional ou nacional. O Campeonato Brasileiro aconteceu na Bahia, em Santo Estêvão. Em um Rio, que nos favorece uma Raia muito difícil, com ventos em todas direções e água turbulenta.

Sabia o que eu precisava fazer. Pedi a Deus que me amparasse, porque, dias antes, durante um treino de reconhecimento, fui surpreendida por uma tempestade e fiquei à deriva até chegar socorro.
Fui resgatada e dois três após esse incidente, chegou o dia da prova!

Larguei junto com mais duas adversárias. E o leme do meu barco estava solto, perdi o controle do barco e saí da raia. Foi horrível!

Muito ruim a sensação de perder o controle, sobre algo que você treina para dominar.

Terminei em terceiro lugar, parabenizei as atletas que competiram comigo. Não vou dizer que não fiquei frustrada. Fiquei!

Chorei de soluçar… por pouco tempo! Me reergui quando olhei todas as minhas conquistas, todas as lutas.

Que que há?! A prova foi vencida, eu não! Nos erros, encontramos o caminho para o acerto, e é assim que devemos ver.

Não se sinta derrotada

E nisso me guio nessa jornada, pois é no Esporte que encontro os recursos emocionais e financeiros para cuidar de mim e dos meus filhos, em especial do Benício, que é autista.

Quando estou em meu barco, concentrada, com as unhas pintadas de azul, prestes a largar para a prova, represento toda essa luta. Uma rotina intensa, sem tréguas e com muito amor.

E é essa mensagem que deixo em mais esse momento com vocês:

Não sintam-se derrotadas diante das falhas. Sintam-se renascidas. São desses erros que temos a visão dos acertos.

Um dia de cada vez!

Estamos juntas!

Beijo do tamanho do Sol…

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