20/06 | 2 anos de Coletivamente

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A exclusão dos adolescentes

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Compartilho com vocês um comentário recebido, que traz uma perspectiva importante e pouco abordada: a exclusão de adolescentes autistas especialmente no ambiente escolar.

Na infância, embora já existam desafios importantes, costuma haver, principalmente entre as crianças menores, maior “pureza” nas relações, e a orientação dos adultos pode ter um peso maior.

Na adolescência, porém, as diferenças tornam-se mais evidentes. Os grupos se fecham, e o desejo de pertencer é intenso. A exclusão, nessa fase, pode ser ainda mais cruel.

O bullying (que pode ser físico, verbal ou silenciosamente social) é uma realidade entre adolescentes típicos e atípicos. Mas é importante destacar a maior vulnerabilidade e os impactos entre os adolescentes autistas, especialmente no nível 1 de suporte. Muitos compreendem suas dificuldades sociais, percebem quando não são aceitos e, mesmo assim, continuam tentando se adaptar.

Esse esforço constante tem um custo emocional alto. Estudos apontam que adolescentes autistas apresentam risco significativamente maior de ansiedade, depressão e ideação suicida, especialmente quando vivenciam rejeição ou exclusão escolar (Hull et al., 2021). Os desafios na comunicação social e o intenso desejo de pertencer podem fazer com que muitos não relatem o que sofrem. Assim, eles enfrentam o bullying e a exclusão em silêncio, com medo de parecerem “diferentes” ou “problemáticos”.

Muitas escolas ainda naturalizam essas situações, tratando a exclusão como algo “típico da fase”. Mas o que se normaliza é o sofrimento.

A construção de ambientes verdadeiramente inclusivos começa quando escola e família caminham juntas. É preciso orientar colegas sobre respeito às diferenças, capacitar professores para identificar sinais de exclusão e criar oportunidades reais de convivência. Porém, para que esses adolescentes estejam na escola preparados para acolher, valores como empatia e acolhimento devem ser constantemente cultivados em casa.

A inclusão verdadeira não se impõe; é desafiadora e exige esforço em várias frentes, mas se constrói com atitudes concretas… E cada gesto de disposição e empatia pode fazer grande diferença.

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