20/06 | 2 anos de Coletivamente

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O risco real do paracetamol

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Estudo conduzido pela Universidade do Colorado alerta para um perigo real e bem documentado do paracetamol (conhecido como Tylenol nos Estados Unidos): a overdose. Segundo os pesquisadores, enquanto as redes sociais circulam alegações não verificadas sobre uma possível ligação entre o medicamento e o autismo em crianças, o risco comprovado e grave permanece negligenciado pela população. O alerta foi publicado em um comunicado da universidade.

O paracetamol é responsável por cerca de 56 mil visitas anuais a departamentos de emergência nos Estados Unidos, com aproximadamente 2.600 hospitalizações. Mais alarmante: o medicamento responde por quase metade de todos os casos de falência hepática aguda no país e cerca de 20% dos transplantes de fígado realizados anualmente.

O paracetamol é o ingrediente ativo em muitos analgésicos e antitérmicos de venda livre, além de estar presente em diversos medicamentos para resfriado, gripe e sintomas menstruais. Quando usado conforme as instruções, o medicamento tem um histórico de décadas de uso seguro.

Os problemas surgem quando pessoas excedem as doses recomendadas, seja tomando muito de uma vez ou repetidamente ingerindo quantidades acima do indicado ao longo do tempo. De acordo com Kennon Heard, professor do Departamento de Medicina de Emergência da Universidade do Colorado e chefe da seção de toxicologia médica da instituição, há casos em que pessoas tomam acidentalmente quantidades excessivas.

“Há casos onde pessoas acidentalmente tomam muito paracetamol. Ou talvez tenham uma dor de dente muito forte e pensem que se dois comprimidos são bons, quatro são melhores, oito são ainda melhores, e assim por diante. Ou são pessoas que tomam múltiplas doses repetidas em excesso. São essas pessoas que enfrentam problemas”, explicou Heard.

Suicídio e autolesão

As overdoses também estão frequentemente ligadas a suicídio e autolesão. Segundo o pesquisador, a regra número um do Centro de Intoxicação é que se algo está disponível, as pessoas vão tomá-lo, e muitas pessoas têm Tylenol em seus armários de remédios.

Por décadas, médicos têm confiado em um medicamento chamado acetilcisteína como antídoto eficaz para overdose de paracetamol. Quando administrado precocemente, pode prevenir danos hepáticos graves.

No entanto, sua eficácia cai drasticamente se o tratamento começar mais de oito horas após a overdose. “O problema é que muitos pacientes não chegam com intoxicação por paracetamol até depois de já terem lesão hepática, momento em que a acetilcisteína é menos eficaz e, em alguns casos, realmente não funciona”, afirmou Heard.

O ensaio clínico atualmente conduzido por Heard e seus colegas está focado no fomepizol, um medicamento aprovado para tratar intoxicação por etilenoglicol e metanol, substâncias comumente encontradas em anticongelantes.

O fomepizol funciona bloqueando enzimas conhecidas como álcool desidrogenase, impedindo que o corpo converta etilenoglicol e metanol em subprodutos tóxicos.

O interesse em usar fomepizol para overdose de paracetamol remonta aos anos 1990, baseado em relatos de casos individuais de pacientes e estudos em animais, particularmente em casos de overdose grave. Pesquisas recentes mostraram que médicos estão cada vez mais usando fomepizol off-label para tratar intoxicação grave por paracetamol.

O estudo de fase II em andamento foi projetado para determinar se adicionar fomepizol ao tratamento padrão com acetilcisteína pode reduzir danos hepáticos em pacientes de alto risco após overdose de paracetamol. Os participantes são aleatoriamente designados para receber ambos os medicamentos ou apenas acetilcisteína, em um formato duplo-cego.

Heard enfatizou que a mensagem principal é que as pessoas devem ler cuidadosamente os rótulos dos medicamentos, evitar exceder doses recomendadas e reconhecer que o paracetamol pode estar presente em múltiplos produtos em casa.

“Começamos a reconhecer que o número de pessoas que morrem de uma overdose acidental é muito próximo do número de pessoas que deliberadamente tomam uma overdose”, afirmou o pesquisador.

FONTE: https://epocanegocios.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2026/01/tylenol-e-autismo-polemica-esconde-risco-de-overdose-perigo-real-do-medicamento.ghtml

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Palavrinhas e siglas do autismo e seus significados na vida diárias. Compartilha aí pra ajudar na conscientização,

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