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A chave da intervenção

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“Mas doutor, meu filho fica horas concentrado no tablet… como assim ele tem dificuldade de atenção?”

Essa é uma pergunta que escuto com frequência — e a resposta começa por entender que atenção não é uma coisa só. No espectro autista, o que vemos não é uma ausência de atenção, e sim um perfil de atenção diferente.
A criança no espectro, em geral, tem atenção individualizada preservada. Ela consegue focar por longos períodos em algo que esteja dentro do seu hiperfoco ou interesse específico.
Mas quando falamos de atenção compartilhada — aquela que envolve o outro, o olhar social, a troca de experiências — aí sim estamos falando de um ponto central no autismo.

É por isso que dizer que a criança “não tem atenção” pode ser um equívoco. Ela tem, mas em um tipo de atenção que não exige interação social. Essa diferença está ligada também à maturação cerebral e às chamadas funções executivas — áreas responsáveis por planejamento, autocontrole, organização e gestão emocional.
São as últimas a amadurecer, e exatamente as mais comprometidas em quadros como TEA e TDAH.

Antes de avaliar atenção pela resposta ao tablet, precisamos observar como a criança compartilha atenção com o mundo à sua volta. É aí que mora a chave da intervenção.

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