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Seu filho não come porque não gosta, não sente fome ou tem medo?

Conheça os três perfis do TARE.

Quando uma criança come poucos alimentos, é comum ouvirmos:

“É seletividade.”
“Quando sentir fome, vai comer.”
“É só não dar outra opção.”

Mas nem sempre é tão simples.

Existe um transtorno chamado TARE — Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (também conhecido pela sigla em inglês ARFID). Nele, a pessoa restringe ou evita alimentos de uma forma que pode acabar trazendo consequências para sua nutrição, crescimento, saúde ou vida social. E uma coisa importante: quem tem TARE não deixa de comer porque quer emagrecer ou porque está preocupado com o corpo.

A dificuldade com a comida pode acontecer por motivos bem diferentes.

1. “Eu não gosto”: quando o alimento incomoda

Algumas crianças percebem características dos alimentos de maneira muito intensa. Pode ser a textura, o cheiro, a temperatura, a cor ou até a aparência. A criança pode aceitar o alimento de uma marca e recusar outra. Pode comer a batata crocante, mas não tolerar a batata amassada. Pode sentir ânsia apenas com determinado cheiro, para quem olha de fora, parece “frescura”.

Para aquela criança, a sensação pode ser realmente desagradável.

Esse perfil é especialmente importante quando falamos de autismo, já que alterações sensoriais podem fazer parte do quadro.

2. “Não estou com fome”: quando comer parece não ter importância

Existe também a criança que simplesmente demonstra pouco interesse pela comida. Ela pode passar muito tempo sem pedir para comer, precisar ser lembrada das refeições, comer algumas colheradas e dizer que já terminou ou demorar tanto que a comida esfria e a refeição parece nunca acabar, não necessariamente existe medo ou rejeição ao sabor.

Comer simplesmente não desperta interesse suficiente.

Quando isso acontece de maneira intensa, a criança pode não consumir a quantidade de energia e nutrientes de que precisa.

3. “Tenho medo”: quando comer virou uma ameaça

Imagine uma criança que engasgou e ficou muito assustada. Depois disso, ela começa a pensar:

“E se eu engasgar de novo?”

Outra pode ter vomitado após determinada comida e passar a evitá-la. Algumas desenvolvem medo de sentir dor, passar mal ou vomitar.

Nesse caso, não é simplesmente:

“Eu não gosto.”

É:

“Tenho medo do que pode acontecer se eu comer.”

E quanto maior o medo, maior pode se tornar a lista de alimentos evitados.

Então toda criança seletiva tem TARE?

Não.

Esse é provavelmente o ponto mais importante.

Ter preferências, rejeitar alguns alimentos ou passar por períodos de seletividade não significa automaticamente ter TARE. O sinal de alerta aparece quando essa restrição começa a trazer consequências importantes: dificuldade de ganhar peso ou crescer, deficiências nutricionais, necessidade de suplementos para conseguir atingir as necessidades ou prejuízo significativo na vida familiar e social. E uma mesma pessoa pode apresentar mais de um desses três perfis ao mesmo tempo.

Por isso, mais importante do que perguntar:

“Por que ele simplesmente não come?”

talvez seja começar perguntando:

“O que acontece com ele quando tenta comer?”

Essa pequena mudança de pergunta pode mudar completamente a forma como enxergamos a dificuldade alimentar.

Observe antes de insistir.

Na próxima refeição, experimente não começar pela cobrança.

Observe.

  • Seu filho recusa porque o cheiro, a textura ou a aparência incomodam?
  • Ele parece simplesmente não ter interesse em comer?
  • Ou demonstra medo de engasgar, vomitar ou passar mal?

Essas observações não servem para fazer um diagnóstico em casa. Elas servem para ajudar a família a perceber que, algumas vezes, existe muito mais por trás de um prato recusado do que “frescura” ou “birra”. Quando a alimentação está prejudicando a saúde, o crescimento ou a vida da criança, é importante buscar avaliação profissional. O TARE precisa ser avaliado adequadamente e, dependendo do caso, o cuidado pode envolver diferentes profissionais.

Compreender por que a criança não consegue comer é muito mais útil do que simplesmente obrigá-la a comer.

Se você percebe uma dificuldade alimentar importante no seu filho e não sabe se está diante apenas de seletividade ou se existe algo além, entre em contato. A avaliação nutricional pode ser o primeiro passo para entender o que está acontecendo.

Instagram: @nutri.fernandaoliveira
WhatsApp: (21) 96559-5660

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