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Esse filtro não é fixo. Ele se calibra pelo que você repetidamente trata como importante. É por isso que uma mãe acorda com o choro baixinho do bebê em outro cômodo, mas não acorda com um trovão. É por isso que um motorista experiente percebe a luz de freio três carros à frente antes de qualquer outra coisa na pista. O cérebro aprendeu, com repetição, o que merece atenção prioritária naquele contexto.

O problema aparece quando esse mecanismo é interpretado como caráter. Alguém que não percebeu uma mudança, não notou um recado ou não reparou em algo óbvio para outra pessoa não decidiu isso conscientemente. O filtro decidiu por ela, com base no que foi treinado a considerar relevante até aquele momento.

Entender isso muda a forma de cobrar e de se cobrar. Antes de rotular alguém como desatento ou desinteressado, vale perguntar o que o cérebro dessa pessoa aprendeu a priorizar, e se aquilo que passou despercebido já foi, alguma vez, sinalizado como importante pra ela.

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