Comportamentos como autoagressão, agressividade contra outras pessoas e reações intensas diante de determinadas situações podem estar relacionados a dificuldades de comunicação, sobrecarga sensorial ou tentativa de evitar uma demanda em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O assunto foi abordado pela psicóloga Bruna Martins, da Clínica Teame, durante o quadro semanal da instituição no programa Tá na Hora, da Berlinda. Segundo a profissional, compreender o que está por trás do comportamento é fundamental para definir as estratégias de acompanhamento de cada criança.
“Os comportamentos disruptivos no TEA muitas vezes estão associados a uma dificuldade de expressão, a uma sobrecarga sensorial ou, então, a uma fuga de demanda”, explicou Bruna.
Quando a criança não consegue expressar o que precisa
Uma das situações apresentadas pela psicóloga envolve crianças com maior dificuldade de comunicação. Bruna exemplificou o caso de uma criança que deseja determinado alimento, mas, em vez de conseguir pedi-lo verbalmente ou apontá-lo, utiliza a mão de um adulto para conduzi-lo até o objeto. Quando a tentativa de comunicação não é compreendida, segundo ela, pode ocorrer frustração.
“Às vezes, quando não é compreendida, essa criança pode ficar frustrada e apresentar tanto comportamentos autolesivos, que é se agredir, quanto comportamentos heteroagressivos, que é agredir o outro”, afirmou.
A psicóloga também destacou que barulho intenso, excesso de luminosidade ou outras características do ambiente podem provocar sobrecarga sensorial. Em outras situações, o comportamento pode surgir diante de uma demanda que representa grande esforço ou estresse para aquela criança.
Desenvolvimento de formas funcionais de comunicação
Bruna explicou que o acompanhamento psicológico pode trabalhar inicialmente habilidades consideradas básicas, como esperar, sentar e apontar, conforme as necessidades individuais.
Um dos objetivos é ampliar as possibilidades de comunicação da criança. Ao aprender, por exemplo, que pode apontar para aquilo que deseja e ser compreendida, uma alternativa funcional passa a ocupar o lugar de outras respostas anteriormente utilizadas.
“No momento em que ela começa a compreender que aquilo está funcionando, a gente observa que esses comportamentos disruptivos vão diminuindo”, explicou.
Estudos sobre intervenções baseadas em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) também descrevem o treinamento de comunicação funcional e a participação dos cuidadores entre as estratégias utilizadas no manejo de comportamentos disruptivos em pessoas com TEA.
Família também participa do processo
A participação dos pais foi outro aspecto destacado pela psicóloga. Na Clínica Teame, segundo Bruna, o processo começa pela anamnese, quando os profissionais conhecem as principais demandas relatadas pela família. A avaliação prossegue durante os atendimentos e, posteriormente, os profissionais realizam devolutivas e reuniões com os responsáveis, com orientações sobre aquilo que está sendo trabalhado.
“Conforme a gente vai descobrindo também a criança, através da anamnese, vamos observando e trabalhando em setting terapêutico. Depois, vamos conversando com os pais”, relatou.
A psicóloga reforçou que cada caso precisa ser observado individualmente, considerando as necessidades, formas de comunicação e características de cada criança.
FONTE: https://berlinda.com.br/geral/comportamentos-disruptivos-no-tea-podem-ser-uma-forma-de-comunicacao-explica-psicologa