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Compreensão foi o começo

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Recentemente, recebi meu diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA), nível 1 de suporte, e de TDAH na fase adulta. Como estudante de psicologia, essa possibilidade vinha sendo considerada há alguns meses, à medida que aprofundava meus estudos sobre o tema. Ainda assim, receber a confirmação após realizar vários testes e avaliação psicológica despertou sentimentos difíceis de colocar em palavras.

Ao mesmo tempo, inúmeras perguntas sobre a minha infância e adolescência finalmente começaram a encontrar respostas. O diagnóstico não veio apenas para nomear um transtorno. Ele veio para explicar uma trajetória. Veio dar sentido a experiências, dificuldades, feridas e cicatrizes que carreguei durante anos sem compreender completamente sua origem. Com ele, surgiu também a oportunidade de buscar apoio, adaptar o ambiente às minhas necessidades, desenvolver estratégias mais eficazes para o dia a dia e viver com mais autenticidade.

Aos poucos, comecei a perceber que não precisava mais mascarar quem eu sou para corresponder às expectativas das outras pessoas. Além disso, também me ensinou a respeitar os meus limites. Passei a compreender que reconhecer minhas dificuldades não significa desistir delas, mas encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com elas.

É uma jornada de autoconhecimento, aceitação e novas descobertas. O autismo de nível 1 de suporte e o TDAH podem passar despercebidos por muitos anos. Muitas pessoas aprendem a sobreviver tentando se adaptar ao ambiente, sem entender por que determinadas situações parecem tão difíceis. Conversas sociais podem ser extremamente cansativas. Ambientes com muito ruído podem causar intenso desconforto.

A necessidade de rotina pode ser interpretada como rigidez ou exagero. Sem um diagnóstico, esses desafios costumam ser reduzidos a frases como: “é frescura”, “é preguiça”, “é falta de esforço” ou “na minha época isso não existia”. Enquanto isso, a culpa cresce. A autoestima diminui. O desgaste emocional se torna constante. Vive-se tentando se encaixar, sem compreender por que isso exige tanto esforço.

Quando falamos sobre autismo e TDAH, a maior parte das campanhas, pesquisas e discussões ainda está voltada para a infância. Mas e quando essas crianças crescem? Os adultos neurodivergentes continuam existindo, enfrentando desafios, trabalhando, estudando, formando famílias e tentando encontrar seu lugar no mundo. No entanto, muitas vezes permanecem invisíveis. Grande parte recebe o diagnóstico apenas na vida adulta, depois de anos acreditando ser “estranha”, “difícil” ou “inadequada”. Esse silêncio sobre o autismo e o TDAH na vida adulta também machuca.

A falta de informação, acolhimento e representatividade faz com que muitas pessoas passem décadas sem compreender a própria história. Receber um diagnóstico na vida adulta não muda quem somos. Não cria autismo, nem TDAH. Apenas oferece uma nova forma de compreender toda a caminhada percorrida. Passamos a enxergar nossa trajetória com mais compaixão. Reconhecemos padrões que antes pareciam falhas de caráter. Desenvolvemos estratégias para lidar com as dificuldades e entendemos que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.

Ter um diagnóstico não é apenas receber um pedaço de papel. É deixar de se culpar por aquilo que nunca foi falta de vontade. É reconhecer os próprios limites sem vergonha. É construir uma relação mais respeitosa consigo mesmo.

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