O ator britânico Tom Holland, de 29 anos, conhecido mundialmente por interpretar o Homem-Aranha da Marvel, revelou seu diagnóstico de TDAH (transtorno de déficit de atenção com hiperatividade) e dislexia. Em entrevista à IGN no início de setembro de 2025, Holland compartilhou como as atividades lúdicas foram e continuam sendo fundamentais para seu desenvolvimento pessoal e criativo.
“Acho que [brincar] realmente ajuda. Tenho TDAH e sou disléxico e, às vezes, acho que quando alguém me dá uma tela em branco, isso pode ser um pouco intimidador”, disse o ator.
A declaração de Holland foi feita durante a divulgação de seu novo projeto em parceria com a marca LEGO. O curta-metragem “Never Stop Playing” (Nunca Pare de Brincar) mistura live-action com animação em blocos LEGO e tem como objetivo incentivar o brincar como forma de expressão, criatividade e desenvolvimento emocional, especialmente entre crianças e adolescentes.
A fala do ator põe em foco um tema cada vez mais discutido entre especialistas da infância, o impacto da adultização precoce e da hiperexposição às telas. Em um cenário em que a pressão por produtividade e desempenho atinge até mesmo os mais jovens, o simples ato de brincar vem sendo deixado de lado.
De acordo com o levantamento TIC Kids Online Brasil 2024, 93% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos são usuárias da internet no país. Isso significa que, grande parte do tempo que antes era reservado para jogos ao ar livre, interações sociais e brincadeiras criativas, agora é ocupado por telas, vídeos e redes sociais.
Especialistas alertam que brincar não é apenas uma atividade espontânea da infância, mas sim um direito garantido por lei (conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente) e uma base essencial para o desenvolvimento cognitivo, emocional, físico e social das crianças.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade. Para crianças neurodivergentes, como aquelas com TDAH ou dislexia, o brincar também se torna uma ferramenta terapêutica. Atividades lúdicas ajudam a melhorar a concentração, desenvolver habilidades motoras finas, promover a socialização e aumentar a autoestima.
Ao compartilhar sua vivência com o TDAH, Tom Holland contribui para quebrar o estigma em torno do diagnóstico, especialmente entre jovens que enfrentam desafios semelhantes, mas ainda têm pouca visibilidade na mídia. “De qualquer forma que você conseguir, seja uma pessoa jovem ou adulto, interaja com algo que o force a pensar fora da caixa e fazer mudanças”, argumentou. “Acredito que, quanto mais fizermos isso, melhor”.
Durante a entrevista, Holland relembrou com carinho os momentos da infância ao lado dos irmãos e dos brinquedos LEGO. “Tivemos tantos conjuntos diferentes quando crianças, tivemos muita sorte. Lembro-me muito vividamente, nossos pais costumavam ter essas competições para nós, onde tínhamos que arrumar nossos quartos, e quem arrumasse melhor não teria que lavar a louça naquela noite”, contou.
Essas memórias afetivas serviram de inspiração para o curta “Never Stop Playing”, no qual Holland vive diferentes personagens. De soldado a astronauta, em um mundo onde a imaginação ganha vida por meio das peças LEGO. O filme é uma celebração do poder da criatividade e um convite para que crianças (e adultos) nunca deixem de brincar.
Em tempos de sobrecarga digital, diagnósticos cada vez mais frequentes de transtornos como TDAH e uma sociedade que valoriza o desempenho desde cedo, o recado de Holland é direto e necessário: brincar é essencial e precisa ser valorizado.
Mais do que lazer, brincar é aprender, se expressar, se conectar e crescer. E, como mostra o ator, é também uma forma de abraçar as próprias diferenças e transformar desafios em potência criativa.
FONTE: https://apaecuritiba.org.br/tomhollandreveladiagnosticodetdah/