20/06 | 2 anos de Coletivamente

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França desaconselha psicanálise

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A Autoridade Nacional de Saúde da França (HAS, na sigla em francês) tomou, pela primeira vez, uma posição clara sobre o tratamento do autismo: segundo o órgão, a psicanálise não é recomendada para o transtorno. Um longo debate sobre o assunto opõe associações de familiares a psiquiatras e psicólogos.

A abordagem psicanalítica “não é recomendada” no tratamento do autismo porque possui “um nível insuficiente de evidências”, segundo essa autoridade independente, cujas recomendações são referência para as políticas de saúde na França.

Esses novos posicionamentos eram aguardados com expectativa por famílias e profissionais de saúde. A HAS não publicava um documento importante sobre autismo desde 2012.

O transtorno afeta entre 1% e 2% da população e abrange uma ampla gama de situações, compartilhando características comuns, como dificuldades na compreensão das relações sociais e uma tendência a comportamentos obsessivos.

As novas recomendações vão muito além do aspecto puramente terapêutico, defendendo uma abordagem que envolva toda a sociedade. A HAS enfatiza, portanto, a necessidade de envolver as famílias de forma ativa e imediata, e de atribuir um papel central às escolas.

Existe amplo consenso sobre esses aspectos, o que leva famílias e profissionais de saúde a acompanharem atentamente a dimensão terapêutica dos pronunciamentos da HAS. Desde o início da década de 2010, um debate acalorado opõe as principais associações a alguns psicólogos e psiquiatras sobre o papel da psicanálise no tratamento do autismo e de outros transtornos do desenvolvimento.

As associações, em sua grande maioria, defendem a exclusão da psicanálise, considerando sua presença excessiva na prática de psicólogos na França, dada sua profunda inadequação no tratamento de transtornos do espectro autista e, de forma mais ampla, a falta de benefícios comprovados.

Por outro lado, um grande número de organizações que representam psicólogos e psiquiatras se recusa a condená-la completamente. Elas enfatizam a dificuldade de avaliar cientificamente as psicoterapias e consideram essencial que os profissionais de saúde mantenham a opção por múltiplas abordagens.

Embora a psicanálise tenha perdido parte de seu prestígio entre os psiquiatras, ela continua sendo ensinada em muitos cursos de psicologia. As abordagens psicanalíticas permanecem comuns em instituições voltadas para crianças, principalmente em centros de saúde mental infantil e adolescente.

A Autoridade Nacional de Saúde da França já havia se inclinado para a primeira posição em 2012, ao questionar a relevância das abordagens psicanalíticas para o autismo. No entanto, considerou na época que elas eram “não consensuais”.

Agora, a situação é diferente. Danièle Langlois, presidente da Autisme France, organização que representa milhares de famílias, considera que o órgão deu “um passo à frente, que esclarece as coisas”. Ela lamenta que as famílias “lidam principalmente com profissionais que têm formação em psicanálise”, tanto entre profissionais de saúde quanto assistentes sociais.

A HAS defende, em vez disso, abordagens comportamentais e de desenvolvimento, e enfatiza a necessidade de implementar essas abordagens o mais cedo possível em crianças, assim que houver suspeita de transtorno do espectro autista. Também recomenda personalizar o cuidado para que ele se adeque às situações extremamente variáveis de cada paciente.

O debate que as recomendações iniciam agora é sobre se elas deveriam ser transformadas em lei no país — ou seja, se a psicanálise deve ser descartada para os casos de autismo. O próprio presidente da HAS, Lionel Collet, tem sugerido regularmente que elas sejam legalmente obrigatórias, irritando diversas organizações de psicólogos.

Essa possibilidade é criticada por entidades como a Federação Francesa de Psiquiatria (FFP) e o Sindicato Nacional dos Psicólogos (SNP), que rejeitam a ideia de uma “psicologia e psiquiatria controladas pelo Estado”. “Seria um perigo real, negando o reconhecimento da complexidade humana, que exige múltiplas abordagens”, afirmaram essas organizações em 2025.

Collet reiterou sua posição na quinta-feira: ele considera a restrição justificada pelo risco de “perda de oportunidades para crianças autistas caso as abordagens recomendadas não sejam implementadas”.

O presidente da HAS admitiu, no entanto, que “essa aplicabilidade não depende da HAS, mas da implementação legislativa”, atribuindo a responsabilidade aos políticos. O professor assegurou que não se trata de defender uma “proibição” da psicanálise.

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/02/13/franca-muda-diretriz-apos-14-anos-e-desaconselha-psicanalise-para-transtorno-do-espectro-autista.ghtml

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