20/06 | 2 anos de Coletivamente

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IA: o problema está no uso

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A inteligência artificial avança em ritmo sem precedentes e inegavelmente já impacta as mais diversas áreas da vida, revelando discussões essenciais entre elas: como a IA pode impactar o cérebro humano? E quais são os efeitos no aprendizado e na educação?

O estudo apresentado no programa “Fantástico” trouxe resultados importantes: estudantes que redigiram suas redações com auxílio de IA, como o ChatGPT, apresentaram menor conectividade neural, especialmente nas bandas alfa e beta (associadas à memória, concentração e resolução de problemas). Esses participantes também demonstraram menor senso de autoria, maior tendência a copiar e colar trechos e dificuldade de lembrar ou explicar partes do texto posteriormente. O grupo controle, sem ferramentas digitais, apresentou maior ativação cerebral e melhor desempenho cognitivo.

Isso reforça uma hipótese crescente na neurociência cognitiva: quanto mais automatizamos processos mentais, menos o cérebro se engaja em redes de esforço cognitivo. Com o tempo, isso pode reconfigurar o equilíbrio entre redes de atenção, motivação e recompensa.

Embora não haja, até agora, evidências conclusivas de que o uso de IA cause “danos cerebrais” permanentes, hipóteses e estudos emergentes sugerem riscos. O uso frequente está associado a menor capacidade de pensamento crítico (Gerlich, 2025) e a maior passividade, comprometendo habilidades cognitivas se for usado como substituto em vez de complemento (Rivera-Novoa & Duarte Arias, 2025).

Porém, há também estudos que mostram que a IA generativa não é, por si só, uma ameaça ao aprendizado. Seu impacto depende da forma como é utilizada: pode empobrecer o raciocínio quando substitui o esforço cognitivo individual, mas também pode enriquecer o processo de aprendizagem quando empregada para estimular análise, questionamento e reflexão crítica (Zhao et al., 2025).

O problema não está na ferramenta, mas no uso. Não pode ser “copia e cola”. A IA deve ser aliada: para expandir ideias, estimular o pensamento crítico e apoiar, sem substituir, a experiência humana de elaborar, errar e refletir.

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