20/06 | 2 anos de Coletivamente

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No distante ano de 1902, no King’s College Hospital, em Londres, o que hoje chamamos de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) fez sua primeira aparição na literatura médica, descrito, então, como um “defeito do controle moral”. Entretanto, foi somente em 1980, com a publicação da terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-III), que o TDAH foi formalmente reconhecido. Apenas na edição do DSM-5, em 2013, é que ele recebeu as definições atuais.

Nasci em 1971, trazendo comigo as marcas típicas de uma criança com TDAH. Contudo, naquela época, o diagnóstico era desconhecido, e tratamentos específicos, como medicamentos ou terapias, não estavam ao alcance de uma família de recursos limitados no interior, de maneira que minha inquietude, dificuldade de concentração e desempenho escolar insatisfatório levavam a previsões pessimistas sobre meu futuro acadêmico.

Crença de uma mãe

Mas minha mãe, Adelma, era diferente. Ela via além, acreditando em um futuro promissor para mim, apesar das dúvidas alheias. Mesmo quando eu comecei a duvidar de mim mesmo, ela permanecia firme em sua convicção. “Eu conheço meu filho, ele vai mais longe do que vocês pensam”, dizia.

Sua crença não era infundada; ela enxergava em mim qualidades como carisma, criatividade, sociabilidade e resiliência – atributos frequentemente ignorados pela sociedade e pelo sistema educacional da época.

Em vez de pressionar por excelência acadêmica, ela me encorajou a encontrar meu próprio caminho para o aprendizado. Foi só após o lançamento do livro Inteligência Emocional, por Daniel Goleman, em 1995, que aprendemos sobre a importância de habilidades emocionais e sociais, aquelas que minha mãe intuitivamente valorizava e cultivava em mim.

O bem mais transformador que ela me ofereceu foi amor – um amor generoso que ela mesma não recebera na mesma medida. Por isso, nesta coluna de março, honro a primeira mulher da minha vida, sem a qual eu não seria quem sou.

O amor que recebi de minha mãe e de minha esposa, Janine, é minha fonte de inspiração e segurança. À minha mãe, ecoo os versos da música “Dona Cila”, de Maria Gadú: “De todo o amor que eu tenho, metade foi tu que me deu, salvando minha alma da vida, sorrindo e fazendo o meu eu”.

Fonte: Gaúcha ZH (https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/noticia/2024/03/veja-como-o-amor-pode-nos-fortalecer-cltq87n1p009a01g1d6569cxo.html)

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