20/06 | 2 anos de Coletivamente

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A Argentina, de Lionel Messi, venceu a França na final da Copa do Mundo do Catar. Mais uma vez o desempenho do craque da seleção argentina fez a diferença, e ele foi eleito o melhor jogador do Mundial.

Com essa atuação fantástica, até mesmo por causa da idade (35), mais uma vez tem se falado sobre um possível diagnóstico de autismo que Messi teria recebido aos 8 anos de idade.

Essa história surgiu em 2013 na imprensa, com um texto publicado com base nas observações do jornalista Roberto Amado. A partir daí a narrativa ganhou força e Messi foi dado como autista a partir do “diagnóstico” de uma profissional da imprensa.

Características de Messi:

  • Qualidade técnica
  • Velocidade
  • Muita habilidade com a perna esquerda
  • Foco
  • Precisão nos movimentos e os comportamentos repetitivos de cair para a direita, driblar e até fazer gols bem parecidos
    Já fora de campo, o craque não é uma pessoa das mais eloquentes.

Todas essas características fizeram com que, em 2013, o jornalista Roberto Amado publicasse a reportagem ‘Como o autismo ajudou Messi a ser gênio’.
Nesse texto, o jornalista afirmou que Messi foi diagnosticado, aos 8 anos, com o que estão chamando de Síndrome de Asperger. O atual nível 1 de suporte ou autismo leve.

Agora, pense comigo:

Só autistas podem ser gênios em suas áreas de atuação?
Só autistas podem ter movimentos precisos?
Só autistas são focados?
Só autistas possuem problemas na comunicação?

Fatos

  • Não temos todas as informações sobre Messi. O autismo atribuído ao jogador seria aquele considerado ‘leve’. Porém, não é possível identificar isso apenas com algumas ‘informações subjetivas, com base em recortes da vida pública de alguém.
  • A família de Messi já deu declarações de que ele nunca teve diagnóstico.
  • O médico Diego Schwartzstein, que acompanhou o atleta na infância e adolescência, disse que ‘isso é uma bobagem’.
  • Nenhum dos biógrafos que analisaram a história do jogador deram qualquer declaração sobre autismo.

Vocês que são pais, mães ou autistas identificados depois de adultos sabem o quanto é difícil conseguir o diagnóstico.

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é feito por médico. Geralmente, a partir da investigação feita por um ou mais profissionais especializados, baseados em protocolos e no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

Sabe o que tudo isso significa?


Não podemos atribuir autismo apenas por características que as pessoas apresentem.
Pessoas extraordinárias podem, sim, ter autismo, mas, também, podem não ter.
Não podemos ser agentes de propagação de situações falsas. Mesmo com a negativa da família e nenhuma declaração do jogador, ainda tem quem utilize o autismo como justificativa para seus comportamentos e desempenho.
O maior problema disso tudo é que muitas pessoas celebram Messi, enquanto atleta incrível, pois seria autista.
De fato, muitos autistas alcançam feitos extraordinários, mas não são apenas esses que merecem celebração, todos os autistas merecem!

Chega de romantizar e justificar o autismo como algo composto somente por gênios.

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