Muita gente enxerga os autistas que conseguem se formar na escola e na faculdade, arrumar emprego, desenvolver e criar obras e projetos, casar e ter filhos, como exemplos de superação que, mesmo tendo um diagnóstico de TEA, conseguiram realizar feitos notáveis que muita gente sem autismo nunca fez. Porém, essa postura de comemorar a realização de uma atividade considerada difícil, apesar do autismo, é tratar a condição como uma “linha de chegada”, como aquilo que define toda a personalidade e essência da pessoa.
Quando se adota a postura do autismo como “ponto de partida”, aí se tem a consciência de que apesar de tais conquistas pessoais e profissionais, as dificuldades diárias como as sobrecargas sensoriais e mentais, o esgotamento físico, as crises de depressão e ansiedade, as oscilações de humor, o capacitismo estrutural e a falta de políticas públicas e atendimento de qualidade continuam presentes no seu cotidiano.
Ou seja, nenhum autista conquista as coisas em sua vida “mesmo sendo autista”, e sim tendo conhecimento das
próprias qualidades e limitações e dando seus passos conforme o tamanho das próprias pernas. As superações de obstáculos nunca eliminam a necessidade de suporte, de fato elas até só são possíveis por causa de tal necessidade.
O AUTISMO NÃO É UMA LINHA DE CHEGADA, E SIM UM PONTO DE PARTIDA!