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O colo que não tivemos

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Eu sempre sei quando ele está enrolando. Ele sabe que eu sei. E, ainda assim, ficamos ali. Mais cinco minutos no carro, observando..

Se eu fosse o pai “padrão”, talvez estivesse preocupado com o relógio. Mas eu sou o pai autista de uma criança autista. E esses minutos extras não são atraso; são acolhimento.

Eu ainda me lembro do aperto no peito que eu sentia ao chegar. A escola me dava arrepios. O barulho era alto demais, as luzes eram brilhantes demais e as expectativas sociais eram um labirinto sem saída. Eu só queria que alguém tivesse validado o meu medo em vez de me empurrar para dentro.

Hoje, eu sou esse “alguém” para o meu filho. Quando permito que ele enrole um pouco mais, estou dizendo: “Eu te vejo. Eu sei que o mundo lá fora é difícil. E aqui dentro, comigo, você está seguro.”

Às vezes, o maior ato de amor não é ensinar a cumprir horários, mas oferecer o colo que a gente nunca teve.
Você também sente que está curando a sua “criança interior” enquanto educa seus filhos? Me conta aqui nos comentários.

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