Na arteterapia, buscamos trazer para o setting terapêutico um ambiente que ofereça segurança, tranquilidade e calma.
A pessoa precisa estar presente, sentir-se segura para também estar entregue e aberta a viver o que a vivência lhe proporcionar.
A curiosidade enriquece o momento de criar, de se soltar e de permitir que a interação com o material artístico oferecido ou escolhido faça a sua parte, afinal, o arteterapeuta sabe o que está prestes a se desenvolver, pois o corpo mostra o caminho para as emoções que dele emergem, e o material faz com que a arte aconteça.
A sensorialidade convida o imaginário e as memórias a seguirem juntos nesse fazer artístico e a viverem, mais uma vez, um grande feito.
A afetividade e o autocuidado transbordam delicadeza e respeito por si, traduzindo o sentir em formas e imagens, cores e símbolos.
É aí que o silêncio chega, para mostrar que há espaço para respirar, suspirar e transbordar “tudo o que se apresenta”.
Esse silêncio é parte do tempo necessário para se conectar com o que há internamente, comunicar-se com o que acontece externamente, e deixar fluir, para que a obra se realize.
Mas, quando o silêncio faz “barulho”?
Ansiedade é sinônimo de barulho.
Esse é um dos relatos que mais recebo, especialmente de pessoas autistas e com TDAH. A busca é também por um espaço e um tempo para “abaixar esse barulho”, encontrando na arteterapia o “remédio” para a mente em ebulição.
É quase unânime ouvir frases como: “minha mente não para de pensar”, “não consigo me acalmar”, “se fico em silêncio, parece que penso ainda mais…”, “ficar pensando o tempo todo cansa muito…”.
Quando o silêncio ensurdecedor toma conta de você, e mesmo entendendo o porquê, ele não “desliga”… é importante fazer algo por você. É aí que entra a sua capacidade de enfrentar, de agir e de alcançar uma mudança na intensidade desse pensar.
Vamos tentar?
O que você ouve que lhe agrada, que possa diminuir o seu ritmo corporal, desacelerar os pensamentos e abrir espaço para algo novo chegar?
Dê espaço para a música lhe fazer companhia. Cante, ou acompanhe o ritmo com pequenas vocalizações. Deixe o som e a melodia ganharem pequenos movimentos em seu corpo, e quem sabe a letra substitua o seu pensar.
Permita que esse algo novo se instale e permaneça, até que você entenda o que ele pode lhe proporcionar. Assim, você vai criando um movimento que traz calma para o corpo e para a mente.
O “barulho”, então, vai se esvanecendo, desacelerando, se tranquilizando e se acalmando, abrindo espaço para um novo sentir.
Aproprie-se da sua respiração e entenda que o seu corpo vai ganhando confiança e coragem.
Tente manter-se presente, encontre um lugar e algo para rabiscar, apenas isso, sem exigência, sem expectativa. Deixe-se levar pelo movimento da mão. Não tente parar para entender.
Apenas deixe o papel e a caneta lhe acolherem, e deposite ali o que lhe faz barulho, o que grita, o que agita, o que ensurdece. Se ainda preferir, escreva continuamente, sem parar pra pensar em como essa escrita está. Apenas escreva, até saciar sua vontade.
Insista, persista e não desista: há conforto nesse fazer, nesse tempo, nesse permanecer.
Pois, aos poucos, você vai entender a grandeza que habita em você, e quando aprender que o silenciar é possível, bastará se entregar verdadeiramente e ouvir o que há dentro de si.
Faça da música seu continente e da arte, seu porto seguro.