A filha recebe o diagnóstico e a mãe descobre o autismo logo depois.
O subdiagnóstico ainda é muito comum, principalmente em mulheres. Vem comigo que eu te explico por quê.
Por que tantas mulheres descobrem na vida adulta?
O autismo se manifesta desde a infância e acompanha a pessoa ao longo da vida, mas os sinais podem aparecer de formas diferentes — e isso muda tudo. Durante muitos anos, a referência clínica foi construída majoritariamente a partir de amostras masculinas, então o “modelo” de autismo que a gente aprendeu a reconhecer ficou mais associado ao comportamento dos meninos.
Em muitas mulheres, algumas características do espectro são confundidas com “jeito”, timidez ou personalidade.
Por isso, é comum ver sinais mais sutis, como: dificuldade de reciprocidade social (mesmo sendo comunicativa), necessidade de rotina e previsibilidade, sensibilidade a sons/luzes/texturas, fadiga depois de interações prolongadas, dificuldade de captar nuances da comunicação e interesses intensos que parecem “socialmente aceitáveis”.
Não é falta de esforço, é um funcionamento neurológico diferente.
Quando o diagnóstico do filho revela uma história familiar, os autistas se descobrem!
É comum que, após o diagnóstico de uma criança, a família comece a reconhecer traços em outras gerações. O autismo tem forte componente genético, então esse “efeito dominó” pode acontecer: filho, mãe, sobrinhos, irmãos…
Ainda assim, existe o tabu em certas famílias. Aqui na clínica, costumo ouvir com frequência:
“Realmente a gente tinha aquele primo (ou parente) que tinha esses traços de personalidade mais fortes.”
A questão é: nunca foram traços de personalidade fortes, eram sinais.
A ciência avançou e agora sabemos que a genética é um fator influente no autismo, conseguimos diagnosticar os filhos e, muitas vezes, descobrimos que os pais também estão no espectro. Agora, o que nos resta é combater o tabu e a desinformação.