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A ideia generalizada de que superdotados são estudantes de elevado desempenho, de grande autonomia, com sucesso na aprendizagem acadêmica e no trabalho escolar, geralmente encontrada no perfil de alguns estudantes altamente capazes, dificulta o entendimento da superdotação de forma mais abrangente (Palmeira, 2014).

Segundo Palmeira (2014), os comportamentos das pessoas com superdotação são bastante heterogêneos e têm vários níveis de expressão diferentes conforme as áreas de conhecimento, como artes visuais, cênicas e musicais; habilidades sociais e psicomotoras; aptidões acadêmicas; pensamento criativo – produtivo, entre outras.

Na concepção de superdotação de Joseph Renzulli, através da Teoria dos Três Anéis, existe um conjunto de traços do desempenho humano que faz parte do comportamento de uma pessoa superdotada, são estes: capacidade acima da média, criatividade e comprometimento com a tarefa. Porém, qualquer um desses traços, apresentados isoladamente, não é suficiente para caracterizar comportamentos de superdotados. Faz-se necessária a interação desses três aspectos, mesmo que não estejam na mesma intensidade.

O conjunto de traços citado acima precisa estar relacionado com áreas gerais e específicas do desempenho humano, representando uma interação entre personalidade e fatores ambientais. As áreas gerais de desempenho são Matemática, Filosofia, Religião, Ciências da vida, Artes Visuais, Ciências Sociais, Linguagem, Ciências Físicas, Direito, Música, Artes Performáticas. Quanto às áreas específicas de desempenho, destacam-se desenho de história em quadrinhos, microfotografia, planejamento urbano, controle de poluição, poesia, design de moda, tecelagem, escrever peças de teatro, publicidade, design de fantasias, meteorologia, fantoches, marketing, design de jogos, jornalismo, música eletrônica, cuidar de crianças, cozinhar, esculturas, cuidar de plantas, decoração, estudar animais, agricultura, pesquisa, critica de filmes, caricaturas, astronomia,  coreografia, desenhos de mapas, História local, produção de filmes, eletrônica, composição musical, arquitetura, química, etc.

Potencial elevado

Para o Ministério da Educação (MEC), o estudante com superdotação é aquele que tem potencial elevado e grande envolvimento com áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criatividade (Brasil 2009). Nessa perspectiva, é importante enfatizar as Teorias das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner acerca da existência de oito inteligências humanas, que são elas: Linguística, Lógico – matemática, as quais são as mais valorizadas nas escolas, tem-se também a Inteligência Musical, Corpo-sinestésica e Espacial, geralmente associadas às artes. Duas ligadas às inteligências pessoais, a intrapessoal e a interpessoal. Há a inteligência existencialista, relacionada à inteligência espiritual, moral e, por fim, a Inteligência Naturalista, que envolve aspectos da natureza, biologia e suas especificações.

Diante do exposto, pode-se dizer que tentar mensurar e definir a inteligência somente por pontuação de testes padronizados não é tão seguro. Precisa-se considerar os atributos do comportamento manifestado pela pessoa e seus fatores ambientais, culturais e situacionais.

Para finalizar, é importante que sejam citados algumas características de superdotação para um melhor entendimento de altas habilidades/superdotação, são elas: alta curiosidade; gosto pela resolução de problemas e atividade intelectual; elevado nível de abstração; amplo vocabulário e proficiência verbal; ter muitas informações em áreas avançadas; pensamento crítico elevado; criatividade e inventividade; intensa concentração; sensibilidade e intensidade emocional; desejo de ser aceito pelos outros; independência, preferência pelo trabalho individual; bastante energia, vivacidade, agilidade e tolerância a períodos de intenso esforço; forte senso de humor e, por fim, diversos interesses e habilidades.

REFERÊNCIAS:

Fleith, Denise de Souza (org). A construção de práticas educacionais para alunos com altas habilidades/superdotação: volume 1: orientação a professores. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2007.

Virgolim, Angela M.R. Altas habilidades/superdotação: encorajando potenciais. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria da Educação Especial, 2007.

Virgolim, Angela M.R. (org). Altas habilidades/superdotação, Inteligência e criatividade: Uma visão multidisciplinar. Campinas, SP: Papirus, 2014.

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