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Nunca se falou tanto em TDAH. Esqueceu do aniversário do seu melhor amigo? Perdeu mais uma vez o carro no estacionamento? Não consegue escolher um filme no catálogo da Netflix? Aquele livro que comprou há meses continua intocável ou continua lendo uns três livros ao mesmo tempo, mas não finaliza nenhum?

Seja qual for seu problema, seja falta de atenção, desinteresse ou mesmo hiperatividade, a desculpa que mais se ouve é: “Eu tenho TDAH”. Falam isso sem terem sido diagnosticados, simplesmente por achar bacana dizer que tem. TDAH está na moda!

Não é à toa que digo que está na moda, já que conforme a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) o número de casos de TDAH variam entre 5% e 8% ao nível mundial. Estima-se que 70% das crianças com o transtorno apresentam outra comorbidade e pelo menos 10% apresentam três ou mais comorbidades. Não é pouca coisa, certo?

Mas o que é o TDAH?
O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade um transtorno neurobiológico, com base genética, que afeta adultos e crianças, caracterizado por alterações na região frontal do cérebro e suas conexões. Ou seja, é uma condição que altera o funcionamento de neurotransmissores importantes, como a dopamina e noradrenalina, que passam informações entre os neurônios. Essas alterações, por sua vez, podem gerar uma série de impactos na vida do indivíduo, sendo os principais: episódios recorrentes de desatenção, inquietação e impulsividade.

Acredita-se que o que leva esse transtorno ter altos índices no mundo é justamente a melhor conscientização e compreensão da condição, já que as pessoas se informam mais sobre as características do TDAH e o identificam. Além disso, mudanças nas práticas de diagnóstico, incluindo a implementação de critérios mais abrangentes, também contribuíram.

Mas embora seja muito analisado, os estudos acerca desse transtorno ainda não conseguem definir quando essa condição começa. Algumas evidências mostram que talvez possam existir dois transtornos diferentes, um que se desenvolve desde a infância e outro que surge apenas na fase adulta.

As causas do TDAH
De acordo com evidências da literatura, o TDAH pode ser multifatorial, apresentando como prováveis causas uma mistura entre o fator genético, que pode ser herdado, principalmente se parentes de primeiro grau forem diagnosticados, e também fatores ambientais, tais como:

Os tipos de TDAH
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade é classificado entre 3 diferentes tipos: desatenção, hiperatividade-impulsividade e combinado. No entanto, atualmente entende-se que a nomenclatura correta a se usar é “apresentações”, ao invés de “tipos” de TDAH, já que o indivíduo pode transitar entre essas diferentes classificações ao longo da vida.

As principais características das apresentações:
Desatenção: caracterizada pela dificuldade de manter a atenção e organizar tarefas. O indivíduo pode apresentar sintomas relacionados à desatenção, porém, sem sintomas de hiperatividade;

Hiperatividade-impulsividade: está relacionada a sintomas de inquietude e pode ser caracterizado por pessoas que não conseguem controlar os seus impulsos;

Combinado: quando o indivíduo manifesta seis ou mais características de desatenção e de hiperatividade. (Esse é o meu tipo :P)
Quanto aos sintomas de TDAH

Sintomas de TDAH em crianças e adolescentes:
Desatenção;
Dificuldades de aprendizagem na escola;
Problemas de comportamento;
Dificuldade para seguir regras e respeitar limites.
Sintomas de TDAH em adultos:
Dificuldade em organizar e planejar tarefas do dia a dia;
Desatenção com demandas do cotidiano e do trabalho;
Problemas de memória;
Inquietude;
Impulsividade;
Dificuldade em avaliar o próprio comportamento e em como afeta os demais à sua volta;
Tem mais problemas associados, como uso de drogas e álcool, além de outras condições psicológicas como ansiedade e depressão.
Como identificar?
Para identificar, você precisa, SIM, passar por uma consulta médica. O diagnóstico deve ser feito por um médico especializado (psiquiatra, neurologista ou neuropediatra) através de uma longa e complexa análise. O médico identificará quais os impactos que os sintomas relatados pelo paciente podem gerar na sua vida pessoal, profissional ou escolar. Evite o autodiagnóstico.

Quanto ao tratamento
O TDAH é uma patologia e, por isso, seu tratamento é geralmente feito com uma combinação entre psicoterapia, com o atendimento psiquiátrico. Também não vou entrar no fato óbvio que boa alimentação e prática de exercícios físicos são mais que bem-vindos!

A prática regular de atividade física pode ser positiva em alguns sintomas da doença, já que tem impactos positivos nas funções psicológicas e cognitivas. Os exercícios cardiovasculares, como caminhada, corrida e spinning, aumentam a excitação e o fluxo sanguíneo no córtex pré-frontal, o que provoca o aumento de neurotransmissores importantes, como a serotonina e a diminuição de hormônios do estresse. Além disso, exercícios cardiovasculares também aumentam outras catecolaminas importantes, como a dopamina – fundamental para o relaxamento.

Medicamentos e suplementação
Se necessário, a utilização de medicamentos também entra em cena. Vale lembrar que cada caso é um caso, inclusive podem ser prescritos estimulantes ou antidepressivos durante algumas fases do tratamento.

Um artigo de revisão verificou que a suplementação com micro e macronutrientes, prescrita com base nas deficiências nutricionais individuais, é uma boa alternativa para complementar o tratamento do TDAH em alguns pacientes, já que desempenham mecanismos que, automaticamente, levam a um melhor desempenho cerebral. Entre os nutrientes citados, podemos destacar:

Ácidos graxos ômega-3;
Fosfatidilserina;
Zinco;
Vitamina D;
Extratos de plantas;
Probióticos.
Mas lembre-se: mesmo que sejam nutrientes importantes para o organismo, a prescrição e a orientação de uso devem ser feitas exclusivamente pelo profissional habilitado que acompanha o paciente.

TDAH e o intestino

Também já foi mostrado que, por motivos provavelmente genéticos, crianças com TDAH podem ter um intestino com dificuldade na fixação de bactérias probióticas, o que leva a má absorção de vitaminas e minerais, agravando o caso.

Curioso que pessoas com doença de Chron, doença celíaca, colite ulcerosa, autismo, síndrome de Down, síndrome inflamatória intestinal experimentam frequentemente o mesmo problema. O intestino pode prender ou soltar, dependendo do caso, mas de qualquer forma, a disbiose e a hiperpermeabilidade do intestino contribuem para mais inflamação e alterações comportamentais.

Lembrando que cérebro e intestino são conectados e para que um esteja bem o outro precisa estar bem também. O tratamento da disbiose envolve uso de probióticos, prebióticos, enzimas digestivas, redução no consumo de alérgenos, corantes, alimentos ultraprocessados e adoção de dieta antiinflamatória. As mudanças podem ser feitas gradativamente, ok?

Dicas para quem tem e para quem convive com TDAH:

  1. Não deixe para depois! Para evitar o esquecimento ou a procrastinação, realize a atividade agora;
  2. Anote tudo que for importante, desde tarefas de trabalho, compromissos pessoais, um recado que precisa dar a alguém, mercado que precisa fazer, horários dos medicamentos, etc. Anote tudo, desde os mais fáceis até os mais difíceis. (PS: Eu mesmo faço esses tópicos e vou riscando com canetinha, você não imagina a sensação de felicidade ao ver que estou completando a meta);
  3. Estabeleça uma rotina: o esquecimento e a dificuldade de concentração são características típicas do TDAH, por isso ter uma rotina desorganizada e sem um fluxo pré-determinado pode ser perigoso.

Assim como realizar o planejamento por escrito dos seus principais compromissos diários, estabelecer e seguir um padrão todos os dias, desde o acordar até o momento de dormir, ajuda com que as coisas não caiam no esquecimento e que atividades importantes sejam realizadas diariamente.

Como lidar com quem tem TDAH?
Entenda mais sobre o TDAH. Estar bem informado sobre o quadro facilita que você compreenda melhor o que está acontecendo com você, ou caso não tenha e conviva com alguém que tenha, é uma forma de oferecer suporte emocional. O TDAH pode trazer impactos para a autoestima e a autoconfiança de quem vive com a doença;

Busque encorajar a busca por tratamento. É fundamental que a pessoa com TDAH seja acompanhada e orientada por profissionais especializados. E por último, estimule a busca por ajuda profissional e acima de tudo incentive a seguir o tratamento!

Boa saúde e espero que tenha chegado até o final desse texto, afinal, isso já é um sinal positivo no controle do TDAH.

Fonte: Bons Fluidos (https://www.bonsfluidos.com.br/coluna-jamar-tejada/tdah-ta-na-moda.phtml)

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