Carnaval assume muitos significados. Para alguns, é festa, rua, música alta, encontros. Para outros, é viagem tranquila, tempo em família, descanso. Há também quem escolha não alterar quase nada: manter horários, permanecer em casa, preservar rituais.
Todas essas formas são legítimas. O feriado não tem um único roteiro… Ele reflete valores, escolhas, necessidades e momentos de vida distintos.
Vivemos, porém, em uma cultura que associa diversão à intensidade. E, em tempos de exposição constante nas redes sociais, essa ideia se amplifica: parece que é preciso mostrar presença, entusiasmo, movimento. Como se descansar fosse desperdício e como se reduzir o ritmo significasse “não aproveitar”. Essa comparação silenciosa pode gerar culpa e inadequação.
Para pessoas no espectro do autismo, essa reflexão é ainda mais importante. Mudanças abruptas de rotina, excesso de estímulos sensoriais, demandas sociais intensas, podem impactar diretamente a regulação emocional. É fundamental lembrar: não há obrigação de corresponder a expectativas externas de sociabilidade, animação ou presença constante.
Ao mesmo tempo, ser autista não significa necessariamente rejeitar o carnaval ou abrir mão de momentos de prazer. A questão não é evitar, mas escolher de forma consciente aquilo que faz sentido… Considerando os próprios limites sensoriais, as preferências, energia disponível e o bem-estar emocional.
O importante é que a experiência seja coerente com quem você é, e não com o que esperam de você.
Feriado não precisa ser barulhento para ser significativo. Ele precisa ser verdadeiro.