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A transformação com os ATs

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A maternidade atípica costuma incluir desafios complexos e profundos. O relato de maior preocupação entre boa parte das mães é sobre como será o futuro da criança na escola, em consultas e nas demais atividades sem a sua presença. O grande questionamento que reverbera é: como vou preparar meu filho com TEA para o mundo, e para quando eu não estiver mais aqui? Com base nesse pensamento, Vitória Carvalho, de 22 anos, formanda em pedagogia pela Faculdade Celso Lisboa, decidiu trabalhar ativamente para ajudar crianças e jovens autistas com diferentes níveis de suporte a conquistarem mais liberdade, independência e qualidade de vida.

Com o desejo de fazer a diferença, a jovem buscou especializações na área de neurodivergência. Hoje, além dos estudos acadêmicos, ela atua como acompanhante terapêutica (AT) na clínica SD Aba, onde integra técnicas científicas e emprega carinho para prestar o suporte necessário a jovens neurodivergentes.

O foco do trabalho de Vitória é a análise do comportamento aplicada (ABA), uma abordagem baseada no behaviorismo (uma área da psicologia que estuda o comportamento humano e animal de forma objetiva, focando em ações observáveis e mensuráveis). Sua missão principal é reduzir comportamentos inadequados e auxiliar no desenvolvimento da autonomia do paciente, atuando diretamente em dois ambientes fundamentais:

Ambiente escolar e clínico: Vitória acompanha o paciente de perto, auxiliando-o a lidar com frustrações que geralmente ocorrem quando há mudanças na rotina ou são contrariados. Além disso, apoia a realização de tarefas escolares e atividades comuns do dia a dia.

Meio social: como a socialização pode ser um grande desafio para pessoas com TEA — devido a barreiras como a dificuldade em manter contato visual ou a ausência de fala verbal — a profissional as acompanha para que consigam se comunicar de forma adequada e funcional com o mundo ao seu redor.

“Com foco no behaviorismo, condiciono o paciente com TEA a adotar comportamentos adequados para o seu bem-estar, como sentar-se de forma correta, comer e respeitar a vez do próximo, sempre visando à criação de uma rotina estruturada, mesmo em dinâmicas fora do padrão”, explica Vitória.

A motivação para o projeto vem de berço. Durante a infância, Vitória acompanhou de perto as dificuldades de sua mãe, que precisava abrir mão de momentos de lazer e das comemorações de fim de ano para acolher o filho mais novo. Seu irmão caçula, Arthur, costumava entrar em crise com o barulho intenso dos fogos de artifício e com a quebra de rotina gerada pelos estímulos desses eventos. Ao crescer, compreendendo o impacto real dessa realidade na dinâmica familiar, Vitória decidiu que era hora de agir para transformar a vida de crianças que, assim como seu irmão, precisam de um olhar mais humanizado e inclusivo.

O objetivo final vai muito além do desenvolvimento individual da criança; trata-se de devolver a liberdade e o bem-estar para toda a estrutura familiar, conta ela:

“Vi muitas mães evitando até o próprio lazer por medo de a criança desregular. Vi pais esgotados por não poderem oferecer uma vida com maior qualidade tanto para os filhos quanto para si próprios. Pedir ajuda não é fraqueza, é o maior ato de amor que os pais podem fazer por sua família”.

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