O tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem ampliando o olhar para além do paciente. O Ministério da Saúde destaca a participação da família como parte importante do cuidado e recomenda acolhimento, apoio emocional e orientação aos responsáveis para que possam complementar, em casa, o trabalho das equipes multiprofissionais.
A literatura científica também reforça a importância desse suporte. Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2024, que reuniu 69 estudos envolvendo 4.213 pais de crianças autistas, identificou benefícios de diferentes intervenções sobre aspectos como estresse parental, ansiedade, depressão e autoeficácia dos responsáveis.
Na CompletaMente, o acolhimento e a orientação parental fazem parte do acompanhamento das crianças. A proposta é ajudar as famílias a compreender os objetivos das terapias, acompanhar a evolução dos filhos e incorporar à rotina estratégias compatíveis com o plano terapêutico.
“O diagnóstico de TEA impacta não apenas a criança, mas toda a família. Mudanças na rotina, dúvidas e inseguranças fazem parte desse processo, tornando o acolhimento e a orientação aos responsáveis fundamentais durante o acompanhamento terapêutico”, afirma Ronaldo Ranieri, fundador e CEO da CompletaMente.
Para a psicóloga Manuela Giacomini, orientadora parental da CompletaMente em Jundiaí, o diagnóstico pode representar uma mudança significativa na dinâmica familiar e exige que a equipe também considere as necessidades emocionais dos responsáveis.
“O momento do diagnóstico é delicado. A família não foi necessariamente preparada para recebê-lo e, ao mesmo tempo, precisa compreender uma nova forma de funcionamento daquela criança. Escutar os pais, acolher seus medos, dúvidas e inseguranças e construir esse caminho junto com eles é parte importante do trabalho”, explica.
A orientação parental também ajuda a criar uma ponte entre a terapia e o cotidiano. Ao compreender os objetivos do tratamento, os responsáveis podem aplicar estratégias de forma natural em casa e compartilhar com a equipe informações sobre comportamentos, avanços e dificuldades observados fora da clínica.
“A criança passa algumas horas por semana em terapia, mas a maior parte da sua vida acontece junto à família. Por isso, orientar e acolher os responsáveis é essencial. Não queremos transformar pais em terapeutas, mas oferecer ferramentas para que compreendam melhor seus filhos e consigam contribuir com seu desenvolvimento no dia a dia”, afirma Ranieri.
Segundo Manuela, esse processo também precisa reservar espaço para os próprios responsáveis. “Quando toda a atenção está voltada para as necessidades da criança, é muito fácil que a mãe ou o pai se coloque em segundo plano. Esses responsáveis também têm suas próprias dores, medos e cansaços. Quando encontram um espaço em que podem falar sobre isso sem julgamento, conseguimos compreender melhor a singularidade de cada família e construir estratégias que façam sentido para aquela realidade”, afirma.
Para Ranieri, o desafio é transformar a participação familiar em parte efetiva do cuidado, sem transferir aos pais a responsabilidade pelo tratamento. “O objetivo não é colocar mais uma responsabilidade sobre os pais, mas dar a eles conhecimento, segurança e suporte para que possam participar desse processo.”
FONTE: https://revistapegn.globo.com/conteudo-de-marca/pressworks/noticia/2026/08/tratamento-de-criancas-com-tea-amplia-foco-para-acolhimento-e-orientacao-das-familias-1.ghtml