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Durante muito tempo, o autismo foi tratado como uma condição exclusivamente ligada à infância. O imaginário coletivo parece sugerir que pessoas autistas simplesmente “desaparecem” ao chegar à vida adulta.

Esse apagamento, no entanto, não reflete a realidade. O transtorno do espectro autista é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida. O que muda não é o autismo em si, mas a forma como ele é reconhecido — ou ignorado.

Do ponto de vista científico, não é possível desenvolver TEA depois de adulto. Os sinais estão presentes desde a infância, conforme descrito no DSM-5, manual que classifica o transtorno como parte dos distúrbios do desenvolvimento neurológico. O que acontece, com frequência, é o diagnóstico tardio, especialmente em pessoas que apresentam características mais sutis.

Dificuldades de socialização, sensibilidade sensorial, rigidez cognitiva e comportamentos repetitivos muitas vezes são interpretados apenas como timidez, excentricidade ou traços de personalidade. Com o passar dos anos, muitos adultos aprendem a mascarar esses sinais para se adaptar socialmente, um processo conhecido como masking. Isso contribui para que o autismo passe despercebido por décadas.

A descoberta costuma ocorrer após crises emocionais, dificuldades no trabalho ou no diagnóstico de um filho autista, quando pais passam a reconhecer em si mesmos características semelhantes. Ainda assim, o caminho até o laudo pode ser longo. Falta de preparo de profissionais, preconceitos de gênero e raça e o capacitismo estrutural dificultam o acesso ao diagnóstico, especialmente para mulheres e pessoas negras.

O autismo na vida adulta apresenta desafios próprios. Diferente da infância, quando o foco está nos marcos do desenvolvimento, adultos precisam de apoio para lidar com relações sociais, mudanças de rotina, ambiente profissional e saúde mental. Ansiedade, depressão e TDAH aparecem com frequência como comorbidades.

FONTE: https://www.tnh1.com.br/variedades/e-possivel-desenvolver-transtorno-do-espectro-autista-tea-depois-de-adulto/

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