No Brasil, 2,4 milhões de pessoas têm diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA), o que corresponde a 1,2% da população, segundo o Censo Demográfico de 2022. Já o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) afeta entre 5% e 8% da população mundial, de acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).
O TEA e o TDAH são condições do neurodesenvolvimento, caracterizadas por diferenças no funcionamento do cérebro. A principal distinção entre elas é que, o primeiro, há prejuízos na comunicação e na interação social, além de comportamentos e interesses restritos e repetitivos. No caso do segundo, o foco está na desatenção, com dificuldade em manter a concentração, iniciar tarefas, organizar informações e, em alguns casos, em controlar a hiperatividade e impulsividade.
Sinais como sensibilidade sensorial, desatenção e hiperatividade podem se manifestar em ambas as condições. “Existem sinais que podem aparecer em ambos, como sensibilidade sensorial, desatenção ou até hiperatividade. No entanto, a hiperatividade no TEA costuma estar mais ligada a uma desregulação sensorial ou emocional, enquanto no TDAH tende a ser mais constante e generalizada, fazendo parte de um padrão mais crônico de funcionamento”, explica Thaís Barbisan, neuropsicóloga.
Na primeira infância, o transtorno de espectro autista pode ser visto quando há atraso na comunicação ou padrões comportamentais atípicos. Já o de atenção e hiperatividade costuma ser melhor reconhecido quando a criança entra na fase escolar e as demandas por atenção, organização e controle do comportamento aumentam.
É fundamental destacar que não há um exame único ou marcador biológico capaz de confirmar, de forma isolada, o diagnóstico. A avaliação é sempre clínica, considerando múltiplas fontes de dados e, quando necessário, a colaboração de uma equipe multiprofissional.
Existem instrumentos e testes neuropsicológicos para a avaliação tanto do TEA quanto do TDAH. Esses meios são capazes de avaliar diversas funções, como atenção, funções executivas, comportamento, emoção e habilidades sociais, entre outros aspectos relacionados à interação entre cérebro e comportamento.
“Além disso, como cada indivíduo apresenta um perfil único, é imprescindível que cada análise seja personalizada e contextualizada, levando em conta as especificidades de cada caso. a avaliação não se resume aos testes. Trata-se de um processo mais amplo, que inclui diagnóstico detalhado, observação clínica e análise que considera o desenvolvimento do indivíduo ao longo da vida, desde a infância, e não apenas um retrato pontual do momento atual”, explica a neuropsicóloga.
O vínculo entre profissional e paciente é crucial para a avaliação e tratamento. Dependendo do perfil do paciente, pode ser necessária a colaboração de outros especialistas. A escolha do tratamento depende da intensidade dos sintomas, impacto funcional e necessidades individuais.
FONTE: https://vtvnews.com.br/saude-e-bem-estar/diagnostico-de-tea-e-tdah-exige-reconhecimento-das-diferentes-caracteristicas/