Durante 12 anos, meu filho fez parte do que, hoje, se chama “autismo profundo”. Na verdade, eu prefiro usar “autismo com muita necessidade de suporte”, pois faz mais jus à quantidade de tratamentos e terapias uma criança precisa.
Nessa fase horrível – é horrível mesmo – o que mais me incomodava era perceber que algumas pessoas que cuidavam ou tratavam meu filho, achavam que era uma perda de tempo.
👉🏼O psiquiatra que o diagnosticou e deu um péssimo prognóstico;
👉🏼O médico que só queria dar remédio;
👉🏼O diretor da escola que não queria fazer a matrícula;
👉🏼O terapeuta olhando para o relógio esperando que a sessão acabasse logo;
👉🏼Qualquer pessoa que pensasse que meu filho deveria ficar em casa roda do a rodinha do triciclo.
Mães atípicas, às vezes, fraquejam. Acreditamos em quem sabe mais. Mas o que não sabemos ainda é que nem sempre essas pessoas sabem tudo.
Se alguém disser que seu filho não vai evoluir, pare de ouvir. Essa é a primeira armadilha que a mãe atípica vai encontrar.
Ninguém sabe até onde uma criança autista com muita necessidade de suporte vai evoluir.
Estatística não é confirmação. “A maioria dessas crianças…” Tudo bem. E as outras? Tem alguém aí se desenvolvendo além das expectativas? São essas as pessoas que deveríamos ouvir.
Foi o que eu fiz: procurei a minha turma.
Uma turma não vitimista, não fatalista, que conseguiu exatamente o que eu também queria. Essas pessoas não eram conhecidas, mas haviam conseguido aquilo que muitos dos profissionais (que não acreditam em autistas) lhes diziam como fato.
Qualquer pessoa pode desistir ou desacreditar do seu filho, menos os pais dele.
Quando alguém te disser que vai ser muito difícil, saiba que vai.
Quando disserem que vai ser impossível, duvide.