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Os atendimentos relacionados ao TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) cresceram 289% nos últimos seis anos na área do DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde.

O número saltou de 1.699 registros, em 2020, para 6.618, em 2025, evidenciando uma mudança no cenário de identificação e acompanhamento do transtorno. Os homens ainda concentram a maior parte dos atendimentos, com 4.632 casos no ano passado, contra 1.986 entre mulheres.

Especialistas apontam que o aumento não indica necessariamente uma “explosão” de casos, mas sim maior acesso à informação, ampliação dos diagnósticos e mudanças na forma como o transtorno é percebido. Professora associada do Departamento de Neurologia da Unicamp, Sylvia Maria Ciasca explica que o TDAH sempre existiu, mas passou a ganhar mais visibilidade. “Houve um grande processo de divulgação, inclusive midiático, que popularizou o tema. Hoje se fala muito mais sobre o transtorno, o que amplia as possibilidades de diagnóstico – nem sempre de forma adequada”, afirma.

Segundo ela, a melhora na comunicação e no acesso aos serviços de saúde também contribuiu para que casos antes ignorados passassem a ser identificados, especialmente no ambiente escolar. “Não acredito em explosão de casos. Muitas crianças antes passavam despercebidas. Hoje, sinais de desatenção e hiperatividade são reconhecidos mais cedo, inclusive desde a primeira infância”, diz.

A área do DRS de Campinas abrange 42 cidades, entre elas Americana, Hortolândia, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré, que refletem, em diferentes níveis, o avanço nos atendimentos e os desafios na rede pública de saúde.

Em Santa Bárbara d’Oeste, por exemplo, o número de atendimentos relacionados ao TDAH na rede municipal saltou de oito, em 2023, para 79 em 2025. Apenas neste ano, 42 pacientes já foram diagnosticados. Atualmente, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPSi e CAPS II) acompanham cerca de 180 pacientes com o transtorno. A maior incidência ocorre entre crianças de 5 a 8 anos, seguida pela faixa de 8 a 12 anos.

A Secretaria de Saúde do município atribui o crescimento a fatores como a migração de usuários da rede privada para o sistema público, o uso excessivo de telas e o isolamento social, especialmente após a pandemia, além da possibilidade de diagnósticos ainda em avaliação ou equivocados, o que exige acompanhamento criterioso.

Em Nova Odessa, desde 2023, o atendimento é reforçado pelo Centro de Referência do Autismo, que acompanha cerca de 50 crianças com quadros relacionados ao transtorno. Já em Americana, a prefeitura informou que não há um número consolidado de diagnósticos, uma vez que as hipóteses podem mudar ao longo do desenvolvimento das crianças.

Para a especialista da Unicamp, o principal desafio está na qualificação do diagnóstico e no acompanhamento adequado. “Tudo começa com uma avaliação bem feita. Estamos falando de crianças inseridas em contextos familiares e escolares, e é preciso olhar para esse conjunto. A intervenção pode envolver ou não medicação, dependendo de cada caso”, ressalta.

Apesar do aumento expressivo nos números, o avanço também expõe lacunas na estrutura de atendimento e reforça a necessidade de preparo dos profissionais e das redes de apoio. “Os desafios atuais são profissionais que compreendam o quadro e consigam fazer o diagnóstico. Tudo parte de um diagnóstico muito bem feito”, conclui Sylvia.

FONTE: https://liberal.com.br/cidades/regiao/atendimentos-por-tdah-crescem-289-com-maior-diagnostico-e-acesso-a-informacao

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