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Cuidado com a calmaria

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Tem uma frase que me deixa em alerta: “Ele é autista, mas é tão calminho no consultório”. Calma em criança autista com atraso motor não é bom sinal. É, na maioria das vezes, desligamento do corpo.

Por vezes, sabe o que está por trás do “calminho”? Ausência de exploração, ausência de tentativa, ausência de erro motor. E se não tem erro motor, não tem construção de esquema corporal. Não tem ajuste postural. Não tem base para função.

O profissional que aplaude o silêncio, muitas vezes, estão tão cansado e esgotado da rotina de atendimento que sequer se pergunta o motivo para a ausência da interação da criança e muitas vezes vê isso como uma vitória.

O movimento desorganizado ainda é melhor do que o não-movimento. Porque pelo menos existe uma tentativa. Quando o corpo desacelera, o cérebro para junto.

Mas enquanto a gente chamar isso de criança tranquila, vamos seguir reforçando o que, na prática, é um problema.

Tem um vídeo muito famoso de um cara que fala que criança parada dá dengue. E é por aí mesmo….

Profissionais da área motora precisam parar de ter medo da instabilidade.

E começar a intervir na organização, e não na inibição.

Se você trabalha na área motora do autismo, lembre-se: criança boa não é criança quieta no consultório, é criança que interage e evolui.

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