A recente notícia envolvendo uma participante do BBB 26 reacende um debate importante: não se atribui diagnóstico a uma pessoa.
Mesmo após a equipe da participante esclarecer publicamente que não há diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA), muitas pessoas seguiram insistindo, nos comentários, em afirmar que “sim, ela é autista”, baseando-se apenas em recortes de comportamento expostos em um contexto de entretenimento.
É fundamental compreender: observação não é diagnóstico.
Avaliação clínica exige formação técnica, escuta qualificada, critérios diagnósticos bem definidos e, sobretudo, consentimento da própria pessoa.
Se houver interesse em investigar, essa decisão deve partir do indivíduo. Da mesma forma, falar sobre um diagnóstico (ou escolher não fazê-lo) também é um direito pessoal. Ninguém é obrigado a se explicar, se expor ou se enquadrar em rótulos para atender à curiosidade alheia.
Lutamos, sim, por uma sociedade mais consciente, que reconheça sinais, amplie o conhecimento sobre neurodiversidade e reduza estigmas.
Mas esse avanço não pode ser usado como justificativa para impor diagnósticos, invadir limites ou transformar condições do neurodesenvolvimento em julgamentos públicos.
Conscientização caminha junto com ética, respeito e responsabilidade. Sem isso, o que parece informação vira apenas mais uma forma de violência simbólica.