A descoberta de uma nova gravidez é um momento de intensas emoções para qualquer mulher, mas para as mães atípicas o teste positivo frequentemente vem acompanhado de um questionamento avassalador: “Será que eu dou conta?“. Se a maternidade por si só já exige uma responsabilidade gigante, o cuidado de uma criança com transtorno do espectro autista (TEA) demanda uma dedicação redobrada, tornando o anúncio de um segundo filho um verdadeiro dilema emocional e logístico.
Este é exatamente o cenário vivido por Daiana Oliveira. Mãe de primeira viagem aos 25 anos, ela enfrentou os desafios do diagnóstico de autismo do seu primogênito, Pedro, recebido quando ele tinha 4 anos. Hoje, aos 34 anos, à espera do seu segundo bebê, no quarto mês de gestação, Daiana compartilha as reflexões que cruzam essa jornada.
“O Pedro é dócil e muito tranquilo, mas o meu grande medo sempre foi o amanhã. O maior receio de uma mãe atípica é pensar em quem vai cuidar e ajudar o filho se um dia ela não estiver mais aqui. Agora, grávida de quatro meses, o medo é em dobro: será que o segundo bebê também vai ser autista? Eu não sei. Mas sei que, enquanto eu estiver aqui, farei o possível e o impossível por eles, sempre”.
O relato de Daiana joga luz sobre a importância desse diálogo necessário entre as mães atípicas e a necessidade urgente de redes de apoio estruturadas, provando que, mesmo diante do desconhecido, o amor e a resiliência se multiplicam.