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Juiz com cordão em Florianópolis

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Alexandre Morais da Rosa, de 50 anos, concilia a rotina de juiz no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) com o tempo que dedica às redes sociais. Desde que teve o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA), aos 47 anos, o magistrado divide a condição com os seguidores.

Para divulgar o tema, ele também participa das sessões no judiciário em Florianópolis com cordão de identificação. O acessório é usado por autistas que desejam expressar a sua identificação.

“Se recebo mensagens hostis e violentas pela rede social, além de comentários preconceituosos e discriminatórios, inclusive de gente que deveria ser informada, imagina a população excluída. A ignorância é irmã gêmea da intolerância”, enfatiza.

Juiz-substituto e membro da 5ª Câmara de Direito Público, o magistrado recebeu o laudo de TEA de nível 1 de forma tardia, após sua companheira, na pandemia, passar a notar traços, junto com uma médica. O diagnóstico ocorreu em junho de 2021, após 14 consultas e uma série de testes com psiquiatras e psicólogos.

Rosa já era juiz quando recebeu a notícia. Com o laudo, pode entender melhor o próprio funcionamento, limitações e possibilidades. Nomear as peculiaridades da adolescência também tornou a vida mais fácil, já que desde então tem acompanhamento especializado.

“Tive consciência das limitações com barulho, conversa fiada, alocação de tempo útil e a valorizar o que importa, deixando de lado muitas tarefas ineficientes que se faz durante uma vida curta. Aproveito melhor os recursos que disponho, convivendo somente com quem prezo e admiro”, conta.

Melhora de desempenho

Além disso, na vida profissional, Rosa afirmou ter melhorado desempenho, especialmente com relação ao trabalho em equipe. Na internet, ao falar sobre o assunto, o juiz explicou que recebeu mensagens de autistas, pais, mães, familiares, companheiros e amigos pedindo apoio e indicações.

“Tem sido bem legal pode auxiliar as pessoas nessa travessia”, disse.

O juiz é uma das 70 milhões de pessoas diagnosticadas com o TEA no mundo, e uma das 2 milhões só no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O transtorno, que é caracterizado pela dificuldade em comunicação e interação social, tem crescido na última década, conforme a neuropsicóloga Gisele Tridapallil.

Segundo a especialista, que atua no tema há 17 anos, adultos têm procurado com mais frequência o consultório dela em busca de resposta e diagnóstico. “Agora, é um assunto que está muito midiatizado, se fala muito, o que é diferente de 10 anos atrás”, explicou.

É no consultório da profissional que pacientes realizam avaliações para descatar ou confirmar o diagnóstico. Segundo ela, a maior parte dos que recebem a confirmação do TEA se sentem aliviados.

“Eu escuto isso com frequência, que é um alívio, pois a pessoa passa a compreender por que é assim, por que possui todas essas diferenças, por que algumas coisas são difíceis. Essa fala é bastante comum no contexto do autoconhecimento”, disse.

Procura por ajuda é importante

Segundo a neuropscóloga, ao suspeitar que conhece alguém autista sem diagnóstico ou ao notar traços de neurodivergência em si mesmo, é essencial buscar ajuda profissional para obter diagnóstico adequado e orientação sobre testes e possíveis caminhos a tomar.

O primeiro passo, conforme a especialista, é procurar um psicólogo ou psiquiatra, pois esses profissionais possuem o treinamento necessário para realizar avaliações completas e fornecer o diagnóstico adequado.

“A mensagem mais importante é transmitir esperança. Após o diagnóstico, a pessoa pode continuar enfrentando dificuldades, mas há terapias disponíveis para adultos. Mesmo que a pessoa se compreenda e se respeite, algumas dificuldades podem surgir, e existem estratégias para lidar com elas”, afirmou a psicóloga.

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2024/04/02/quem-e-o-juiz-de-sc-que-descobriu-autismo-aos-47-anos-e-participa-de-sessoes-com-cordao-de-identificacao.ghtml

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