Se você lida com muitas pessoas autistas diariamente, deve estar a par da hipersensibilidade auditiva a determinadas vozes, que vai além da misofonia – a conhecida aversão a alguns sons que as desregulam, como os de mastigação, respiração e estalos.
No caso dessa aversão específica a alguns tipos de voz, timbre e prosódia, não há um termo diagnóstico, pois nem sempre essa aversão à voz é misofonia (aversão a determinados sons, não especificamente a vozes).
Tom de voz, tempo, modo de falar.
Todos temos um.
A voz de uma pessoa costuma revelar uma parte do seu estado de espírito – triste, alegre, relaxada, ansiosa, etc.
Quando isso é recorrente (sempre o mesmo jeito de falar), pode revelar um traço de personalidade – mais agressiva, passiva, reflexiva, agitada, irônica, etc.
Para algumas pessoas autistas, a voz de alguém pode incomodar tanto que é desagradável seguir ouvindo aquela pessoa.
Não é sobre o conteúdo da fala.
É sobre sua voz e o modo dela falar.
Muitas vezes, aquele som incomoda tanto que a pessoa autista não consegue focar no conteúdo do que é dito.
Não existe na literatura científica um termo que identifique esse sinal que é mais frequente do que se imagina. Por isso, muita gente não compreende quando autistas “fogem” de algumas pessoas quando elas começam a falar. Principalmente, autistas que não consegue verbalizar esse grande incômodo sensorial.
Tampouco existe um tipo de voz que desregule uma pessoa autista. Como sempre, é individual.
Fonte consultada:
Williams ZJ et al. (2021). A Review of Decreased Sound Tolerance in Autism: Definitions, Phenomenology, and Potential Mechanisms.
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Vou trazer uma outra análise de um segundo artigo científico sobre o processamento auditivo no autismo.