Os dados mais recentes sobre autismo no Brasil reforçam um ponto central: o desafio não está apenas em identificar, mas em garantir acesso ao cuidado.
O Mapa Autismo Brasil 2026 reuniu informações de mais de 23 mil participantes em todo o país.
Entre os achados, está o fato de que apenas 20,4% dos diagnósticos ocorreram pelo SUS. Somente 15,5% realizam terapias pela rede pública, enquanto a maioria depende de planos de saúde ou atendimento particular.
Outro ponto relevante é a intensidade das intervenções: mais da metade das pessoas recebe até duas horas semanais de terapia… Volume muito abaixo do recomendado em diretrizes internacionais. Isso sugere que, mesmo quando há acesso, ele nem sempre acontece na intensidade necessária.
O estudo também evidencia que o autismo frequentemente está associado a outras condições, como TDAH, ansiedade e dificuldades de sono, reforçando a necessidade de um acompanhamento contínuo e multidisciplinar.
Além disso, o cuidado segue concentrado nas famílias (especialmente nas mães) e uma parcela significativa dessas famílias está em faixas de renda mais baixas, o que pode ampliar ainda mais as barreiras de acesso.
Um ponto que merece atenção é o predomínio de participantes classificados como nível 1 de suporte. Esse dado pode refletir uma ampliação do reconhecimento de perfis mais sutis, hoje mais identificados do que em anos anteriores. Ao mesmo tempo, é importante considerar o formato da coleta (realizada por questionário online) que tende a captar com mais facilidade esses grupos e pode sub-representar casos com maiores necessidades de suporte.
Os dados não apenas descrevem uma realidade… Eles ajudam a direcionar o olhar para onde estão as principais necessidades.
Mais do que identificar, o cenário atual aponta para a importância de garantir acesso, continuidade e equidade no cuidado.