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Os outros não têm culpa

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Algumas pessoas me perguntam de onde vem a vontade de escrever e se faço algum tipo de programação sobre os assuntos. Pois bem, a vontade vem de situações reais que vivencio e, hoje, vi uma cena que me incomodou bastante e parece que enquanto eu não colocar para fora, não tenho paz.

Pois bem, estava na fila do pão literalmente rsrs por pouco tempo, pois tinha acabado de chegar e um senhor, que tinha uma perna amputada, chegou após mim e foi até o balcão da padaria. A atendente não conseguiu enxergar a deficiência dele por trás do balcão e também porque nesse estabelecimento há sistema de senha para atendimento preferencial e, provavelmete, esse senhor tinha desconhecimento desse fato pois não havia pegado uma senha.

Então, ele começou a gritar rudemente com a moça: “Ei, nesse lugar, por acaso, não tem atendimento preferencial? Vou ficar duas horas aqui parado e ninguém vai me atender?” E apontando para o próprio corpo e batendo as mãos nas laterais do mesmo, finalizou: “Olha só minha situação!”. Antes que ele se alterasse mais, intervi e falei que tinha atendimento preferencial sim que era só pegar a senha especial e peguei uma senha e entreguei para ele que foi atendido prontamente.

Mas o que essa cena me ensinou? Que ele estava com muito ódio da situação que ele se encontra (perna amputada). Isso é muito comum quando temos uma necessidade especial ou descobrimos que nossos filhos têm e que não há nada que possa ser feito para mudar essa realidade. Ficamos com raiva de tudo e de todos, brigamos até com Deus, perguntamos por que conosco e não com os outros e se não colocarmos nossas ideias no lugar, vamos andar ranzizas por aí descontando nossa frustração nas pessoas que não têm culpa alguma!

Parece que já andamos com quatro pedras nas mãos para atacar quem ousar nos negar o atendimento preferencial ou fazer algum comentário desnecessário diante de uma crise nervosa dos nossos filhos, por exemplo. Mas nós temos que compreender uma coisa: AS OUTRAS PESSOAS NÃO TÊM CULPA DA NOSSA CONDIÇÃO! Elas não possuem bola de cristal, ainda mais se tratando do autismo que é uma deficiência oculta.

Claro que é muito incômodo ter que ficar explicando todo o tempo o que é autismo, o porquê de nossos filhos agirem de determinadas maneiras ou por qual motivo estamos na fila preferencial ou, ainda, ter que ouvir comentários desnecessários … Porém, temos que tentar ser amáveis mesmo diante de um furacão de angústias e sofrimento dentro de nós. Só assim poderemos ensinar a sociedade a ter a empatia que tanto reivindicamos e buscamos!

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