Famílias preocupadas e até convictas em relação a um diagnóstico procuram profissionais da saúde mental em busca de uma resposta. “Eu sempre digo que o diagnóstico na infância e na adolescência, principalmente o diagnóstico médico, tem que ser ponto de partida, não pode ser um rótulo, um fim, um instrumento que vai se sobrepor a pessoa”, diz a psiquiatra e pediatra Patricia Ferraz. Ela foi a convidada do episódio da última sexta-feira, dia 3, de Meu Inconsciente Coletivo e discute, com Tati Bernardi, se existe uma “moda” de diagnósticos de autismo.
Patricia explica que, quanto mais jovem for a criança, mais atenção se deve dar a todos os aspectos do desenvolvimento. “Nosso parâmetro de comparação não pode ser o checklist dos manuais, das redes sociais”, diz. “O senso comum, graças à informação sem conhecimento, esquece que problemas do neurodesenvolvimento não são só autismo. Autismo corresponde a 1% dos distúrbios do neurodesenvolvimento.”
No episódio, a pediatra explica mudanças classificatórias na psiquiatria que impactaram os diagnósticos, além de um propósito inclusivo na sociedade que deu mais visibilidade à neurodivergência.
Na conversa, Patricia apresenta a diferença entre usar medicamentos para mudar comportamento, algo que depende de personalidade, valores e história, e medicamentos para mudar rendimento mental, atenção, raciocínio e humor. “Rendimento mental é como eu estou. Isso muda com remédio. Quem eu sou e as dificuldades que eu tenho não mudam com remédio.” Trata também do perigo de usar medicação para agradar a família e a escola.
Na nona temporada do podcast, Tati Bernardi volta às sessões de análise para falar sobre temas que a têm perturbado, e que conversam com as neuroses de muitos ouvintes. Existe um bom uso da maldade? Por que nos comportamos como crianças ao educar uma criança? O que um cancelamento causa na saúde mental?
Já foram publicados episódios com Gabriela Malzyner, Mario Eduardo Pereira e Vladimir Safatle.
O Meu Inconsciente Coletivo é publicado às sextas, nas principais plataformas de podcast. O podcast tem episódios gravados na Zamunda Estúdio. A coordenação é de Magê Flores e Daniel Castro, da editoria de Podcasts da Folha. A identidade visual é de Catarina Pignato.
MEU INCONSCIENTE COLETIVO
QUANDO às sextas, 8h
ONDE nas principais plataformas de podcast
FONTE: https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2026/04/podcast-discute-se-existe-uma-moda-de-diagnostico-de-autismo.shtml