20/06 | 2 anos de Coletivamente

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Polícia apura denúncia

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A Polícia Civil está investigando o caso do jovem que foi impedido de efetuar matrícula na academia Fórmula, na Praça do Lido, em Copacabana, nesta terça-feira. Augusto Menaguali Lima, diagnosticado com autismo, estava acompanhado da mãe Alexsandra Menaguali Lima no momento em que a recusa aconteceu. Segundo Alexsandra, o atendente negou a matrícula do rapaz após explicar que a unidade não aceita pessoas com o espectro, e que só o supervisor poderia autorizar o contrato. O caso foi registrado por ela na 12°DP.

Segundo o delegado titular da 12°DP (Copacabana), André Rosa Leiras, os envolvidos e testemunhas serão intimados ainda hoje para prestar depoimento.

“É importante ouvir a recepcionista, supervisor e testemunhas para ter a real compreensão do que aconteceu naquele dia. O objetivo é entender se houve recusa de fato e se foi motivada pelo autismo”, explica Leiras, que também vai investigar se há outros casos na unidade.

A mãe de Augusto conta que perguntou ao funcionário da academia sobre os planos e mensalidades, e foi atraída por uma promoção para jovens com menos de 29 anos. Quando estava revirando a carteira em busca dos cartões para finalizar a matrícula do filho, ela teria perguntado ao atendente se havia professores no salão da academia. Ela justificou a pergunta explicando a condição do filho e diz ter sido interrompida pelo atendente, que teria lhe explicado que a unidade já teve “problemas com autistas”.

“O funcionário falou “a gente não vai poder fazer a matrícula”. Na hora, eu fiquei surpresa, perguntei o porquê e ele continuou “já tivemos problemas com autistas aqui, só podemos fazer com a autorização do gerente”. Eu fiquei muito nervosa na hora, falei que era discriminação, que ia contra a lei. Foi como se tivessem dito que meu filho não prestava para eles”, relembra.

Depois da recusa da matrícula, Alexsandra voltou para casa. Por volta de 16h, decidiu ir acompanhada por uma advogada à 12°DP, em Copacabana, fazer o registro contra a academia. De acordo com ela, foi a primeira vez que negam a ela um direito para seu filho.

“Eu nunca tinha passado por isso. Meu filho anda sempre com o cordão de girassol no pescoço, indicando sua condição. Ele fica em filas prioritárias, algumas pessoas olham de cara feia sem entender, mas nunca tinha sido tão velado. É muito duro, é como se tivessem repelido ele. Quem quer ver o filho passar por isso?”, questiona.

Augusto, de 22 anos, é formado no ensino médio e trabalha como recepcionista de shows de artistas como Anitta e Mumuzinho. Atualmente, está se preparando para conseguir a habilitação.

Em casa, após o registro de ocorrência, Alexsandra chamou o filho para conversar. Até então, não havia compartilhado com ele o ocorrido.

“Eu estava muito emocionada. A voz presa. Não queria deixar transparecer nenhuma posição de vítima ali, meu filho não tem culpa. Sentei ao lado dele e disse: “filho, o lugar que não aceitar você é porque ele não o merece, não está preparado para você. Você é muito especial, ninguém pode fazer você sentir o contrário”.

Procurada, a academia Fórmula, na Praça do Lido, informou estar apurando o caso.

FONTE: Jornal O Globo

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