Toda semana chega na minha clínica uma queixa diferente com a mesma origem.
Às vezes, é a professora que reclamou da desatenção. Às vezes, são os pais que não conseguem mais tirar o tablet da criança sem crise. Às vezes, é uma dificuldade de fazer amigos que foi aumentando sem que ninguém soubesse explicar por quê.
O que eu vejo na avaliação é que esses sinais raramente aparecem sozinhos. Eles fazem parte de um padrão, e esse padrão tem uma explicação neurológica.
Quando a tela ocupa todos os momentos livres, o cérebro da criança para de treinar habilidades que só se desenvolvem no tédio, na espera, no conflito com outra criança, na brincadeira sem roteiro. Não é uma questão de limite ou disciplina. É uma questão de quais circuitos estão sendo ativados e quais estão ficando para trás.
O Toy Story 5 retratou isso com uma precisão que me surpreendeu. E acertou em algo importante: a tecnologia não é o problema. O problema é quando ela substitui os contextos onde o desenvolvimento acontece.