20/06 | 2 anos de Coletivamente

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O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) acomete entre 5% e 15% das crianças, principalmente meninos, e consiste em uma baixa capacidade de concentração e/ou excesso de atividade e impulsividade. Sintomas que interferem no desenvolvimento da criança e demandam tratamento farmacológico.

O metilfenidato é a principal escolha na tentativa de combater os sintomas e melhorar a qualidade de vida de pacientes com TDAH. No entanto, pode causar insônia, perda de apetite, cefaleia, alterações de humor, além de elevação da frequência cardíaca e da pressão arterial. Quando tomados em altas doses por muito tempo, pode levar ao retardo persistente do crescimento até a vida adulta.

A grande maioria dos pacientes pediátricos se adapta ao déficit de atenção durante a adolescência ou fase adulta. Porém, cerca de um terço continua a se beneficiar do uso dos medicamentos psicoestimulantes e é importante conhecermos os eventuais riscos cardiovasculares associados ao uso prolongado desses fármacos.

Pesquisadores dinamarqueses analisaram o risco em longo prazo de síndrome coronariana aguda (SCA), acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca (IC) associados ao tratamento de TDAH. [1]

O estudo

Para a pesquisa, foram utilizados dados de registros de dinamarqueses adultos (≥ 18 anos de idade) que iniciaram o tratamento do TDAH entre 1998 e 2020, agrupados em três categorias:

Usuários anteriores (haviam suspendido o tratamento): n = 36%; 42% mulheres; idade média de 30 anos;

Usuários de doses menores (< 1 dose diária definida): n = 43%; 47% mulheres; idade média de 31 anos;

Usuários de doses maiores (≥ 1 dose diária definida): n = 21%; 47% mulheres; idade média de 33 anos.

Uma população de fundo pareada sem TDAH (sem relato de prescrição de tratamento do distúrbio) foi criada para comparação.

O acompanhamento foi iniciado um ano após o início do TDAH entre indivíduos sem história de SCA, IC ou AVC. Os medicamentos usados para tratar o TDAH foram: metilfenidato, atomoxetina, lisdexanfetamina, dexanfetamina ou modafinil. Os desfechos de interesse foram SCA, AVC, IC e um composto destes desfechos.

Um total de 73.264 usuários adultos em tratamento para TDAH foram identificados e acompanhados por uma mediana de 6,5 anos.

Comparando os grupos que receberam doses maiores versus usuários anteriores, houve uma associação com risco elevado de AVC em 10 anos (razão de risco [RR] = 1,2), de IC (RR = 1,7) e do desfecho composto (RR = 1,3). Não foi observada associação com SCA. As comparações entre os grupos de doses maiores vs. doses menores foram significativas para risco elevado de AVC, de IC e de desfecho composto. Comparado ao grupo sem TDAH, foi observado maior risco de desfechos cardiovasculares, tanto nos que receberam doses menores (RR = 1,4) como nos usuários de doses maiores (RR = 1,7).

Implicações

Em resumo, este estudo de coorte nacional de adultos encontrou associações entre o tratamento e o risco elevado de AVC, de IC e do composto de desfechos cardiovasculares em 10 anos. Uma resposta à dose no risco cardiovascular apareceu gradualmente, com aumento no risco em 10 anos em comparação a indivíduos sob doses mais altas. Não foram encontradas associações com aumento do risco de SCA.

Esses achados contrastam com metanálise prévia de qualidade limitada. O estudo em tela também tem limitações, como falta de outros desfechos cardiovasculares, de outras medicações psiquiátricas e de ajustes estatísticos para multiplicidade. [2] Evidentemente, o tema merece mais pesquisas.

De qualquer modo, o estudo sugere associação entre potenciais riscos cardiovasculares e uso de psicoestimulantes. Diante do crescente — muitas vezes exagerado — uso desses fármacos, recomenda-se prescrição criteriosa da menor dose eficaz pelo menor período possível.

Fonte: Medscape (https://portugues.medscape.com/verartigo/6511085?form=fpf)

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