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Já se reconhece que o diagnóstico de autismo em meninas e mulheres frequentemente acontece mais tarde. Elas tendem a apresentar características aparentemente mais “sutis” ou menos reconhecidas como sinais do espectro.

Além disso, o uso de estratégias de masking é mais frequente e “refinado”. Meninas e mulheres costumam se adaptar melhor ao ambiente e corresponder às expectativas sociais… Mas isso tem um custo emocional muito significativo.

O atraso no diagnóstico, o uso constante de masking, a falta de compreensão sobre os próprios desafios, possíveis experiências de exclusão social, entre outros fatores, favorecem vulnerabilidades emocionais.

Muitas dessas mulheres passam anos lidando com sofrimento silencioso, autocrítica intensa e sentimentos constantes de inadequação, o que aumenta significativamente o risco de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade, depressão, burnout e distúrbios alimentares (Begeer et al., 2013; Hull et al., 2020).

E é assim que, muitas vezes, se configura um ciclo difícil de romper: o atraso no diagnóstico contribui para o surgimento ou agravamento das comorbidades – que, por sua vez, podem mascarar os sinais do TEA, dificultando ainda mais seu reconhecimento.

Assim, muitas mulheres permanecem por anos presas a um sofrimento não nomeado, não compreendido… e, portanto, não tratado de forma adequada. 😞

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