Por que tantas mulheres passam a infância e a adolescência inteiras sem saber que têm TDAH? Dados do CDC mostram que 61% das mulheres com o transtorno só recebem o diagnóstico na vida adulta, contra 40% dos homens. A resposta está em uma combinação de critérios clínicos construídos com base no comportamento masculino e uma apresentação dos sintomas que é historicamente ignorada.
O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por sintomas persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Nas mulheres, a apresentação tende a ser diferente: prevalece o tipo desatento, com sinais mais internalizados e menos comportamentos disruptivos.
Enquanto os homens costumam apresentar agitação física e impulsividade evidente, as mulheres frequentemente lidam com desorganização mental, esquecimentos constantes, dificuldade de iniciar tarefas e uma sensação crônica de sobrecarga. Esses sintomas são facilmente confundidos com traços de personalidade ou com outros quadros, como ansiedade e depressão.
Os critérios diagnósticos do DSM-5 ainda carregam um viés histórico importante. Por décadas, os estudos sobre TDAH foram conduzidos majoritariamente com meninos e homens, o que moldou uma visão do transtorno baseada em comportamentos externalizantes. Meninas que sonham acordadas ou que se perdem nos próprios pensamentos raramente acionam o mesmo alerta que um menino que não para quieto na carteira escolar.
Essa diferença faz com que muitas mulheres cheguem à vida adulta sem nunca terem sido avaliadas. Quando buscam ajuda, os sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade costumam ser atribuídos a estresse, cansaço ou transtornos do humor, adiando ainda mais o diagnóstico correto.
Alguns sintomas são tão sutis que a própria mulher os interpreta como falhas de caráter. Os mais comuns incluem:
Hipersensibilidade à crítica e sensação constante de inadequação.
Cansaço mental extremo ao tentar manter a rotina organizada.
Dificuldade em priorizar tarefas, levando à paralisia decisória.
Flutuações de humor que se intensificam no período pré-menstrual.
Hiperfoco em atividades de interesse, com total negligência de outras obrigações.
Esses sinais são frequentemente normalizados. A mulher que se distrai com facilidade é chamada de “desligada”, e a que se sente sobrecarregada é vista como “perfeccionista”. O resultado é um mascaramento constante que esgota emocionalmente.
FONTE: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/o-que-e-tdah-em-mulheres-adultas-e-por-que-os-criterios-tradicionais-podem-falhar-em-quem-nunca-foi-diagnosticada-na-infancia/